A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 28/08/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, a qual se caracteriza pela ausência de conflitos. Entretanto, esse raciocínio do escritor difere totalmente do atual contexto brasileiro, dado que a falta de representatividade na publicidade é um grave problema no Brasil. Dessa forma, é crucial discutir sobre a importância dessa temática e os principais desafios que dificultam sua aplicação.

A princípio, convém ressaltar que os estereótipos sociais contribui para a falta de representatividade na publicidade. Em face disso, é pertinente trazer o filme “Felicidade por um fio”, produzida pela Netflix, a qual apresenta uma narrativa de uma protagonista que se encontra, desde de sua infância, influenciada a mudar e abandonar seus traços negroídes, em razão da sensação de despertencimento dentro do meio social. Nesse sentido, essa obra cinematográfica, por sua vez, se assemelha à realidade brasileira, uma vez que, devido aos padrões sociais, as mulheres negras ainda não se sentem representadas na sociedade, principalmente nas redes televisivas. Tal situação, de certo modo, impacta negativamente no desenvolvimento da autoestima, como também afeta na construção de uma nação que valorize a diversidade de raças e etnias. Logo, torna-se perceptível que a representatividade na mídia é importante e necessária ao passo que facilita a inclusão de grupos minoritários na população.

Ademais, vale destacar outro fator que colabora para a permanência desta problemática: o preconceito presente no corpo social. Haja vista que, devido à discriminação aplicada na comunidade LGBTQIA+ e na população negra, fruto da intolerância ao diferente, os grupos minoritários, geralmente, estão propensos à uma deficitária representação no meio social. Tal situação lamentável, de certa forma, afeta não só na qualidade de vidas das pessoas vulneráveis, como também interfere bastante no exercício da cidadania. Desse modo, é fundamental que os anúncios publicitários ofereçam mais visibilidade para essa sociedade estigmatizada, visto que, de acordo com a Constituição federal de 1988, todos são iguais perante a lei. Assim, nota-se a importância da representatividade na publicidade para a formação de um espaço mais igualitário na mídia.

Portanto, fica claro que medidas são necessárias para a reversão deste problema. Dessa maneira, concerne, ao Estado em parceria com a mídia, grande poder de influência na vida das pessoas, representar os diversos grupos sociais existentes no Brasil, que sobretudo valorize o pluralismo cultural e descontrua padrões sociais, em função de sua necessidade, por meio de redes televisivas e anúncios publicitários, a fim de frisar a importância da representatividade na publicidade. Feito isso, será possível a construção de uma sociedade harmônica que aproxima-se da idealizada por Thomas More.