A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 28/06/2021

Para a poeta indiana Rupi Kaur, na sociedade contemporânea, a representatividade é de vital importância. Entretanto, verifica-se que, no contexto brasileiro do século XXI, a representatividade de grupos oprimidos não recebe o devido destaque, uma vez que a diversidade ainda não é corretamente representada pelas propagandas publicitárias. Nesse sentido, é extremamente necessário debater a respeito da problemática, que tem como causas: a herança histórica e a sensação de superioridade de grupos majoritários.

Constata-se, a princípio, a maléfica interferência histórica na questão da representatividade, que influi decisivamente no problema. Sob esse viés, o antropólogo Claude Lévi-Strauss afirma que o entendimento da sociedade atual provém do entendimento dos fatos históricos. Por essa ótica, é necessário compreender que acontecimentos, tais como a escravização de povos africanos ou a proibição legal de relacionamentos homoafetivos, foram responsáveis por causar danos significativos a esses indivíduos, que carregam esse legado histórico até os tempos atuais. Desse modo, tais fatores resultaram na marginalização e desfavorecimento social dessa parcela da população, a qual foi oprimida e necessita ser representada. Logo, sem se desprender do legado que o passado deixou, o problema se perpetua.

Ademais, é coerente apontar que a intolerância de grupos privilegiados impacta a questão. Nessa perspectiva, A Teoria da Eugenia defende a existência de características humanas superiores a outras. Analogamente, é nítida a eugenia social que se instala na representatividade na publicidade, visto que indivíduos que não se encontraram no padrão social estabelecido pela sociedade não são retratados na mídia. Assim, a representatividade é de suma importância para que preconceitos sejam quebrados.

Portanto, é notória a necessidade de intervir sobre a questão do preconceito. Para isso, é preciso que o poder legislativo crie uma lei que obrigue as mídias a representar diversos grupos sociais, por meio de multas, a fim de que o doloroso legado histórico possa ser amenizado. Tal ação pode, ainda, contar com consultas públicas às minorias, para que estas possam dialogar a respeito da maneira como querem ser representadas. Dessa forma, espera-se construir uma sociedade mais justa e tolerante.