A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 22/08/2021
Os preconceitos enraizados na nossa sociedade deram abertura a representação de uma visão de mundo etnocentrista, em que apenas pessoas brancas, magras e hipersexualizadas são representadas em massa na mídia, reforçando um esteriótipo idealizado e irreal de perfeição. Segundo a pesquisa Mulheres (in)visívels realizada pela 65/10 em parceria com o Grupo ABC, 65% das mulheres afirmam não se identificar com a maneira com que são representadas na publicidade brasileira.
Com a popularização das redes sociais como forma de manifestação e protesto, foi possível a aproximação entre a marca e consumidor, colocando a discussão sobre representatividade em evidência. Como as redes são uma das formas mais eficientes de divulgar seu produto ao consumidor atualmente, é necessário alinhar a propaganda aos interesses do usuário. Um dos marcos que demonstra isso é o crescimento do conteúdo representativo e real na internet, fazendo com que o utilizador das redes, em sua maioria mulheres, se sinta próximo do que está sendo mostrado a ele.
Para o filósofo grego Aristóteles, ‘‘a arte imita a vida’’. Já, para o escritor Oscar Wilde ‘‘A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida’’. Utilizando a afirmação do escritor, percebe-se que, no Brasil, a mídia tem um papel importante em influenciar o pensamento do consumidor e colocar determinados assuntos em evidência. A publicidade tem um papel fundamental em disseminar certos tipos de pensamento ou padrões de consumo, legitimando comportamentos, que, muitas vezes, se enraizam em forma de preconceitos. O Projeto de Lei 504/20 que pretende proibir que propagandas contenham alusão a comunidade LGBTQI+ é um dos resultados desse fenômeno, mostrando que valores disseminados pela mídia, mesmo com os avanços sociais, ainda possuem espaço na mente da maior parte dos brasileiros.
A normalização da representatividade estimula sua legitimização, e por isso, sua discussão deve ser posta em prática nos meios de comunicação, principalmente em meios governamentais. Uma sociedade representativa colabora para o desenvolvimento da saúde mental e da dignidade de seus indivíduos, sendo indispensável o combate ao preconceito e a discriminação.