A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 15/07/2021
No livro “Ensaio acerca do Entendimento Humano”, de John Locke, é descrito que todos os seres humanos nascem como folhas brancas e, ao longo da vida, se moldam e formam sua personalidade de acordo com as experiências. Análogo a isso, pode-se dizer que muitas pessoas são excluídas de diversas oportunidades por não se encaixarem no padrão que é criado e considerado “normal”, gerando estériotipos e descartando o diferente. Nesse sentido, é notório que existe uma discrepância relacionada a escolha de pessoas para propagandas, visto que muitos criam um perfil padronizado na crença de que somente tais pessoas podem exercer a função, não tendo em vista que os outros indivíduos podem se sentir inferiorizados.
Sob esse viés, é nítido que ainda existe um padrão estético para investir no mercado publicitário. Consoante ao pensamento do escritor José Saramago, que diz “A pior cegueira é a mental, que faz com que não enxerguemos o que temos pela frente”, isto é, muitos fingem não ver o problema da falta de representatividade de outros estériotipos, tornando o gosto padronizado e fazendo com que as pessoas vejam somente tais indivíduos, que normalmente estão nas propagandas, como aceitáveis e comuns. Desse modo, a pluralidade no meio da marketing não se torna diversificado e quando algo forma do convencional é apresentado ocorrem diversas críticas da sociedade, pois não há uma maior representatividade de, por exemplo, homossexuais e negros no âmbito da propaganda.
Além disso, é valido destacar que muito indivíduos podem ser consideradores inferiores. De acordo com a escritora Chimamanda Adichie, o “status quo” - estado das coisas - é sempre penosa, ou seja, para mudar algum aspecto social, sempre haverá um caminho árduo e difícil. Diante disso, ao perceber que existe um pré-requisito, seja do tom de pele, textura do cabelo ou sexualidade, para exercer funções na área da publicidade, muitas pessoas podem se sentir incapazes de participar das campanhas publicitárias, no convencimento de que apenas os que aparecem nas divulgações são os únicos modelos a serem seguidos, tornando o caminho para mudança mais dificultoso.
Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para sanar o problema relacionado a falta de representatividade no meio publicitário. Dessa forma, é imprescindível que a mídia crie campanhas nas redes sociais sobre a pluralidade de pessoas no campo da propaganda, por meio de publipost - publicação patrocinada - a fim de aumentar a visibilidade de outros estériotipos e que o perfil padronizado seja apagado, existindo assim, igualdade em tais meios de publicidade. Tal ação deve, ainda, contribuir para que não exista a criação de padrões estéticos.