A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 04/07/2021
No clipe “Take me to church”, do cantor Horzier, evidencia-se um casal gay que é perseguido por seus conterrâneos e, no final, um deles dois é espancado e morto. De maneira análoga, assim como o casal, as minorias, muitas vezes, passam por situações similares, já que se tangenciam do padrão social, o que, consequentemente, as tornam mais excluídas, por exemplo, do meio publicitário. Nesse sentido, em razão de reflexos históricos e de uma má influência midiática, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.
Diante desse cenário, vale destacar que um passado marcado por uma hierarquia racial reflete, diretamente, na conduta de uma boa parte da sociedade atual. À vista disso, em 1888, apesar de a abolição dos escravos ter sido implantada, não houveram medidas para a inserção deles na sociedade, pelo contrário, com uma forte presença do Darwinismo social, o embranquecimento do povo brasileiro foi bastante buscado pela elite — fato que marginalizou, ainda mais, os pretos. Sendo assim, mesmo após séculos, uma estrutura social extremamente marcada pelo racismo é evidente, até mesmo, nas publicidades, já que, na maioria das vezes, segundo a agência Heads, aqueles que se tangenciam do padrão europeu tem um papel de menor relevência nessas obras, Assim, enquanto os reflexos de um passado sujo se mantiverem, o Brasil será obrigado a conviver com o preconceito e a intolerância.
Ademais, é importante salientar que uma parte do conteúdo presente no meio midiático é algo que possibilita a perpetuação da exclusão das minorias. Sob esse ângulo, consoante a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. A esse respeito, ao se observar alguns conteúdos presentes nos veículos de informação, percebe-se que a aversão às diferenças é algo bastante comum, visto que, por exemplo, o apresentador Sikeira Júnior, em seu próprio programa, teve a total liberdade — e público defensor — para chamar a comunidade LGBT de “raça desgraçada”. Diante disso, é mais que evidente o quanto as minorias têm que lutar para buscar o seu espaço, inclusive, no cenário midiático. Com isso, um possível caminho para se combater a discriminação é desconstruir por completo o pior entrave para Harendt: a banalidade do mal.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, modifique o intelecto das novas gerações, por meio de projetos pedagógicos, os quais estimulem os alunos a respeitarem as diferenças, a fim de torná-los mais empáticos à diversidade. Por sua vez, o Congresso Nacional, por meio do Poder Legislativo, deve criar punições mais severas àqueles que destilam o ódio, como o Sikeira Junior, para que esse tipo de caso não fique impune e, então, não volte a ocorrer. Dessa forma, espera-se ampliar a representatividade das minorias na publicidade.