A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 10/07/2021
Na Antiguidade Clássica, a cidade de Atenas continha um espaço de participação e discussão coletiva limitada para os considerados cidadãos na época: a Ágora. Assim também ocorre na conjuntura social atual: a publicidade nacional persiste em refletir somente os valores e as identidades dos grupos sociais tradicionais, omitindo, assim, a pluralidade característica da população brasileira. Nesse contexto, o preconceito social velado e o sistema educacional falho contribuem para a perpetuação desse problema. Urge, destarte, que uma discussão acerca da representatividade e a inclusão na publicidade seja feita para que um cenário negativo não mais seja realidade.
Mormente, a discriminação e o preconceito que ocorre de maneira silenciosa no território brasileiro é um sério entrave para a manutenção do óbice. Nesse sentido, ao ser apresentado em meios de comunicação de amplo alcance grupos marginalizados socialmente, parte da população que comete esses atos preconceituosos boicotam as empresas, o que as deixam com receio de aumentar a diversidade em suas propagandas e perder parte do lucro. Observa-se, então, que a segregação social - apresentada como característica da sociedade brasileira, por Sérgio Buarque de Holanda, no livro “Raízes do Brasil” - se faz presente até os dias atuais, ao serem representados na propaganda brasileira somente os grupos socialmente privilegiados.
Outrossim, o sistema educacional insuficiente é outro fator agravante da situação. Consoante a teórica Maria Vera Candeau, o sistema educacional está preso nos moldes do século XIX e não está apto para solucionar as inquietudes hodiernas. Nessa perspectiva, evidencia-se que o modelo arcaico da educação brasileira tem graves consequências no desenvolvimento social do país. Isso porque, ao não tratar de temas sensíveis, como diversidade, no âmbito acadêmico, a escola mantém, por conseguinte, a mentalidade retrógrada e contrária à pluralidade da população. Desse modo, cresce o número de pessoas que contestarão a inserção de grupos marginalizados na publicidade.
Logo, percebe-se que a população precisa ser instruída a respeito desses tópicos imprescindíveis para a formação de uma sociedade justa e igualitária. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação, mediante alterações na Base Comum Curricular, inserir disciplinas de convívio em sociedade e respeito à diversidade na grade das escolas, com professores capacitados, a afim de mitigar o preconceito no Brasil. Ademais, o Ministério das Comunicações deve, mediante incentivos fiscais, prestigiar as empresas que prezam pela inclusão e representatividade, como a de grupos étnicos discriminados, a fim de combater a exclusão e o tradicionalismo da propaganda brasileira. Feito isso, poder-se-á observar o país em progresso, e a publicidade brasileira não mais será a Ágora moderna.