A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 09/07/2021

No livro americano “De olho nela”, personagem principal, Beatrice, revoluciona as redes sociais ao questionar os padrões estéticos de um programa romântico televisivo que só utiliza participantes dentro do clássico conjunto: branco, heterossexual e magro. Não distante da realidade, no Brasil, uma parcela expressiva da população enfrenta os problemas provocados pela ausência da representatividade nas campanhas publicitárias. Dessa forma, a realidade distópica vivenciada pelo corpo social brasileiro aproxima-se da exercida pelo livro. Sob essa ótica, a má influência midiática e a ausência de medidas legislativas inclusivas contribuem para a persistência da problemática.

Convém ressaltar, a princípio, a má influência midiática como um empecilho à consolidação de uma solução. Conforme Pierre Bourdieu aquilo que foi criado como instrumento da democracia não deve ser transformado em mecanismo de opressão. Nesse contexto, ao invés de elevar o nível informacional da população sobre a importância da representatividade nas campanhas publicitárias, as mídias contribuem para o problema, uma vez que reforçam os padrões e estereótipos já presentes na sociedade hodierna. Dessa maneira, grande parcela da população brasileira continua excluída das publicidades.

Outro ponto relevante nessa temática é a ausência de medidas legislativas inclusivas. Segundo uma pesquisa realizada pela Agência Heads, cerca de 75% das protagonistas de séries e novelas são mulheres brancas. Nesse contexto, pode-se observar que existe uma necessidade de medidas legislativas mais inclusivas, uma vez que grande parte dos expostos pela mídia ainda está dentro do padrão “branco”, intrínseco da sociedade brasileira. Sendo assim, reforçam-se os estereótipos incentivados pelas grandes marcas com o objetivo de lucrar mais em cima de preconceitos já existentes na sociedade brasileira.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção. Assim, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Pública deve desenvolver ações que visem reverter o problema de influência midiática. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais por meio da produção de vídeos que alertam sobre as condições reais da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram o problema. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para identificar e dar visibilidade a ação, um fim de conscientizar a sociedade sobre a importância da representatividade na publicidade. Além disso, o Governo Federal, como órgão máximo responsável, deve criar novas leis que obriguem a pluralidade de obrigadas em todas as campanhas publicitárias, um fim de mitigar à ausência de leis inclusivas. Talvez assim, seja possível construir um país do qual Beatrice possa se orgulhar.               deve promover a criação de novas leis que obriguem a pluralidade de obrigatoriamente em todas as campanhas públicas, um fim de mitigar o problema da ausência de medidas legislativas inclusivas. Talvez seja assim, seja possível construir um país do qual Bea possa se orgulhar.