A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 20/07/2021

O homem branco, heterossexual e cisgênero sempre foi o padrão da sociedade, pois, diferentemente das mulheres e da população negra, asiática e indígena, ele foi creditado pelo que fez na Terra. Dessa forma, assim como a pessoa magra é o padrão estético, o homem branco se torna o padrão do que seria a verdadeira pessoa realizada, da felicidade.

Primeiramente, é necessário frisar que o capitalismo e a necessidade de vender produtos fez a publicidade se tornar um meio de criar ilusões, de forma a chamar a atenção da população para uma definição da verdadeira felicidade. Dessa forma, para se tornar mais atraente para o consumidor, seria necessário encontrar um padrão enraizado na mente da população. Logicamente, em uma sociedade formada por uma variedade de grupos sociais e de pessoas pensantes e diferentes uma da outra, mostrar apenas um pequeno grupo não traria apenas a falta de inclusão, mas também estereótipos ― a mulher (principalmente a negra)  hipersexualidada, negros sempre em posição de inferioridade social, intelectual e cultural e o uso do povo indígena como ignorantes de conhecimento ― que afetam diretamente a vida dessas populações no presente e consequências futuras, a autoestima das próximas gerações, por exemplo.

Ademais, a economia também deve ser debatida, pois essa divulgação, de empresas, produtos ou serviços, gera um capital que deveria ser melhor investido. Podemos citar Alina Durso, ativista e mulher travesti, que aos 18 anos passou fome e chegou a fazer uso de drogas, porém, desafiando as estatísticas e através do seu trabalho na internet participando de propagandas, conseguiu reverter essa situação; assim, é notório a importância desse setor para a geração de empregos para as camadas mais fragilizadas e a representação e normalização de pessoas, relacionamentos (principalmente os LGBTQIA+) e corpos no nosso dia a dia.

A fim de participar ativamente de uma mudança social, o anunciante tem que ter conhecimento da importância da publicidade e tudo o que nela representa, por isso, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deve fiscalizar e cobrar representatividade sem estereótipos, para que os preceitos básicos da ética publicitária também traga um sentimento de aceitação aos consumidores.