A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 22/07/2021
Toda uma população submetida a condições de crime de pensamento, onde elas não podem se expressar, apenas aceitar tudo que o governo prega, manipulando-as com informações unilaterais. Esse é o cenário encontrado na obra clássica “1984” de George Orwell. Da literatura distópica à realidade brasileira contemporânea, as polêmicas relacionadas à publicidade e à diversidade expõe uma construção histórica desse sistema, além de inúmeras existências. Diante disso, medidas são necessárias para combater os silenciamentos.
Cabe mencionar em primeiro plano, que há um enraizamento de outros séculos no que hoje é percebido como um controle midiático do que é veiculado. Nesse sentido, representantes políticos como Putin, Musseveni e Margaret Tatcher, ao longo de seus governos proibiram -e ainda proíbem- a veiculação de campanhas que enfatizam a pluridade afetiva. Para além desse comportamento de outros tempos, isso ainda é notado na contemporâneidade, quando surge um projeto de lei em 2020, proposto pela deputada Marta Costa, propondo que sejam proibidos, no Estado de São Paulo, veiculações que representem a multiplicidade de gêneros. Essa proposta revela uma espécie de censura estrutural, uma vez que agridem, simbólicamente, publicidades que devem propagar o tempo vivido, situação que pode ser comprovada pelo conteito de “violência simbólica” do sociólogo Pierre Boudie, que descreve o processo em que se perpetuam e se impõem determinados valores culturais.
Para além da história, muitas narrativas passam a ser controladas, ao passo que o ambiente televisivo deveria represntar e imitar a vida. Sendo assim, o escirtor Paul Preciato, em sua crônica “Quem defende a criança queer”, revela nuances de sofrimento sentidas pelos infantes no que se refere às escolhas e afetividades que viram questões apontadas por muitos desde cedo. Logo esses grupos são cercados por instituições como escola, família, mídia. Dessa maneira, a ideia de que a vida imita a arte é rompido, visto que não existe identificação de se é e do que se vê.
Portanto, urge soluções que combatam projetos limitadores da mídia. Para isso, é preciso que o Ministério das comunicações invista em fiscalizações junto a órgãos como o CONAR (Conselho de Auto Regulamentação Publicitária), por meio de equipes mais plurais que possam garantir e ajudar no aumento das personagens a serem representadas nas campanhas, como o objetivo de garantir que a sociedade como um todo se sinta para do que é exibido. A partir de ações como essa, projetos de leis que visem o contrário não serão mais propostas e a narrativa de George Orwell, de fato, será apenas uma distopia.