A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 27/07/2021
A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os indivíduos uma condição isonômica, a qual os contempla com direitos esseciais para a construção de uma vida digna. No entanto, com a problemática da falta de representatividade na publiciade brasileira, diversos cidadãos acabam sendo beneficiados por tais direitos apenas de maneira teórica, seja pela falta de visibilidade das minorias, seja pelo preconceito. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos.
Em primeira análise vale destacar a falta de representatividade dos grupos mais vulneráveis. De acordo com o professor Boaventura de Sousa Santos o termo “epistemicídio” é dado como o desaparecimento dos conhecimentos e das culturas minoritárias. Desse modo, apesar do aumento crescente da participação desses grupo inferiores, os anúncios e propagandas ainda apresentam um padrão perfeito para ser desejado, apresentando essa parcela de forma indireta ou como coadjuvantes. Dessa maneira, a falta de visibilidade de grupos sociais como mulheres e homossexuais na publicidade, pode se desdobrar no epistemicídio, ou seja, no esquecimento dos saberes relacionados a tais, tendo como consequência, a falta de visibilidade e o preconceito.
Em uma segunda análise é pertinente ressaltar que o preconceito colabora diretamente para que haja a falta de reconhecimento. De acordo com o IBGE, 53% da população brasileira é considerada preta, entretanto apenas 26% dela é retratada na publicidade. Dessa forma, grandes empresas que visualizam um maior alcance, buscam mostrar a divinização da cor branca, e do “padrão europeu” atrelada a um ideal de felicidade utópica. Dessarte, o racismo enraizado na nossa cultura corrobora para uma maior invisibilidade desse coletivo, que apesar de ser maioritário enfrenta sérios problemas de reconhecimento de sua cor, cultura e conhecimentos.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio de políticas públicas de inclusão, adotem medidas voltadas para a inserção dos coletivos minoritários, implementando leis que incentivem os meios midiáticos a adotarem essas normas de integração, promovendo feiras, e eventos de debates temáticos sobre representatividade e questões raciais, a fim de evidenciar a problemática e que a conscientização das demais parcelas da sociedade se tornem efetivas. Em vista disso, o problema será resolvido, a médio e longo prazo, fazendo com que haja uma harmonia social, conforme proposto pela constituição.