A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 28/07/2021

A medalhista de prata Rayssa Leal, na categoria de skate das Olimpíadas de 2021, representa uma realidade vencedora que tantas outras meninas, também negras e nordestinas, poderiam vivenciar com o investimento em esportes. No entanto, essa representatividade não pode ser percebida na publicidade, cujo perfil predominante das campanhas é elitista e desconsidera a diversidade do Brasil. Dessa forma, ocasiona-se o silenciamento dos grupos minoritários, bem como reflete os interesses lucrativos das grandes empresas.

Uma vez que a diversidade de corpos, cores, estilos e perfis socioeconômicos do país tropical é desconsiderada nas campanhas midiáticas, dificulta-se a expressão das minorias. Assim, quando a socióloga chilena Julieta Kirkwood afirma que exercícios de poder só se consolidam ao ultrapassarem do campo conceitual para as atitudes, têm-se a ausência de pluralidade como um instrumento de opressão contemporânea. As lutas travadas, as desiguais oportunidades e as marcas que esses grupos possuem são reduzidas à insignificância velada, não sendo pauta de debates ou alvo de mudança. Com isso, o silêncio imposto é legitimado, inclusive, pelos consumidores das propagandas.

Sob outra ótica, a representatividade quase nula nos trabalhos publicitários reflete o interesse lucrativo das empresas - mesmo daquelas que possuem discursos de engajamento social. Segundo os filófos alemães Adorno e Horkheimer, a produção cultural relacionada aos bens de consumo, ao submeter-se ao lucro, passa a estar a serviço da elite, deixando de cumprir com seu compromisso crítico que transforma e molda a sociedade. Dessa forma, como o padrão magro, branco, rico e atlético permeia o ideal no imaginário do brasileiro, percebe-se que a sua continuidade é reforçada, uma vez que contrariá-lo é sinônimo de sofrer redução nas vendas. O aspecto financeiro, então, sobrepoem-se à luta por igualdade e justiça social.

Infere-se, portanto, que a representatividade na publicidade brasileira é importante à medida que concede voz aos grupos minoritários e utiliza o viés econômico como instrumento de reparação histórica. Para que isso se torne uma realidade, é necessário que o Governo Federal proponha uma parceria às empresas líderes de produtos não duráveis, concedendo a elas incentivos econônimos para reformularem suas propagadas, a fim de a dar voz à história dos negros, nordestinos, homossexuais e mulheres enquanto grupos sobreviventes num país falho e opressor. Dessa forma, espera-se que a iniciativa estatal influencie a conscientização das próprias empresas quanto ao seu papel de moldar a mentalidade do brasileiro e, assim, construir um futuro representativo.