A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 12/08/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Assim, de acordo com os dias atuais e a lógica do artista, faz-se preciso, valorizar e dar espaço, para os grupos de indivíduos que são marginalizados pela sociedade, que possuem seus costumes e cultura ignorados. Desse modo, a representatividade na publicidade se torna essencial, visto que, no Brasil, a nação é formada pela pluralidade dos cidadãos. Sendo assim, uma campanha com diversidade atinge mais espectadores, e normaliza ações que saem do tradicional, diminuindo atitudes preconceituosas.

Sob essa perspectiva, é incontestável como as redes sociais visibilizaram a representatividade, sendo fundamental, principalmente, para as crianças que crescem se identificando e aceitando suas características. De acordo com uma pesquisa publicada na revista Social Psychological and Personality Science, candidatas negras com seus cabelos ao natural ou em tranças-afro, são julgadas como menos profissionais do que negras com cabelos alisados. Dessa forma, é notório que a aceitação da negritude e a evidência disso nas campanhas e redes sociais, inspiram indivíduos assumirem seus cabelos e outras peculiaridades. Percebe-se isso, através do movimento de transições capilar e menos comentários de preconceito em redes sociais, o que aumenta a saúde mental e a autoestima.

Dessarte, na sociedade brasileira é uma sociedade capacitista, ou seja, muitos indivíduos não enxergam uma pessoa com deficiência como um ser humano “normal”, vendo estes como seres inferiores, de menores valores e que não devem ser tratados da mesma forma. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, realizado em 2010, 6,7% da população brasileira têm algum tipo de deficiência. Dessa forma, é necessário a representatividade desse grupo, para acabar com atitudes que reforçam a exclusão e com o senso comum, pois eles vivem como qualquer outro cidadão, independente de seus fenótipos.

Indispensável, portanto, ações que engajem mais meios publicitários que diversificam seus modelos e mostram toda pluralidade do Brasil.  Para isso, é mister que o Estado crie um departamento com profissionais especializado em marketing, mídias socias e ciências sociais, para desenvolver as campanhas nacionais, principalmente em meios digitais. Com objetivo, de incluir toda população e gerar identificação e acolhimento, atingindo todo o público alvo. Em consequência, irá diminuir o preconceito e os “padrões” que são impostos inconscientemente para a nação. Além disso, crie campanhas mensais que expliquem cada diversidade, suas culturas e costumes. Assim, a sociedade se tornará um lugar mais empático, livre do senso comum e inclusivo para todos os brasileiros.