A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 06/08/2021
O filme “Como eu me senti a primeira vez que vi essa garota”, expõe os bastidores de uma peça de teatro que conta a história real de uma jovem indiana que se apaixonou por uma mulher, quando seu irmão descobre, ele mente, para os outros membros da família, que ela estava se relacionando com um homem de outra religião, pois aquilo seria um escândalo de menores proporções. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta uma arquitetura de comportamentos preconceituosos que se assemelham ao contexto brasileiro, pois, assim como na obra, as mídias, principalmente a propaganda, tem grande importância na validação e legitimação de comportamentos. A falta de representatividade ocorre devido à falta de consciência por parte da população e da indústria. Por isso, torna-se fulcral o debate acerca da problemática.
Mormente, sobre o filme anteriormente citado, uma cena se destaca, onde a personagem principal está trancada em uma caixa de vidro; tal elemento revela a falta de conexão e, inclusive, incompreensão com relação a si própria devido a diferenças com os outros personagens. Tal situação não teria sido tão intensa para a garota se a diversidade fosse algo exposto na mídia. Verifica-se, por consequência, que se temas como o tratado na peça fossem comuns, diversas crianças e jovens sentir-se-iam incluídos, não apenas no Brasil, mas no mundo.
Outrossim, uma pesquisa publicada pela agência Heads, revela que somente 25% das protagonistas de televisão brasileira são negras, dos quais apenas 47% possuem traços negroides, como cabelo crespo ou nariz e lábios grossos. Porém, segundo o IBGE, mais de 56% da população brasileira se declara negra, o que revela que apesar das inclusões e maior representatividade conquistadas recentemente, ainda há um longo caminho a ser percorrido em busca da equidade na indústria de publicidade.
Depreende-se, portanto, que a equidade na representação, principalmente na publicidade, é indispensável para a integração social. Deste modo, cabe ao Ministério da Cidadania, apresentar um projeto de lei que vise estabelecer, por meio de cotas, maior inclusão de pessoas negra e indígenas, além de membros da comunidade LGBTQ+ e deficientes físicos, nos meios de comunicação, atribuindo maior protagonismo a esses. Espera-se, com isso, atribuir maior visibilidade para as minorias sociais, para, desse modo, criar um futuro mais inclusivo e humano.