A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 04/08/2021
O pensador Guy Debord, em sua obra “A Sociedade do Espetáculo” exprime uma sociedade movida aos padrões estéticos e ideológicos impostos pelas mídias sociais, responsáveis por restringir a visibilidade das tidas minorias do corpo social moderno. Desse modo, tal situação se estende para a sociedade contemporânea. Diante disso, vale a discussão acerca da representatividade para a formação da identidade social do indivíduo, bem como o sentimento de incapacidade gerado pela ausência da mesma. Em primeiro plano, vale ressaltar que a representatividade nas publicidades midiáticas é necessária para a construção da identidade social do indivíduo, visto que segundo o sociólogo Emille Durkheim, a identidade e caráter do cidadão são construídos pautados no espelho social. Dessa forma, a representatividade nas publicidades e propagandas é essencial para a formação da individualidade do ser humano, de maneira que se faz necessária a valorização do diverso e do diferente, uma vez que a formação social de cada indivíduo é baseada na interação cultural que fundamenta seu comportamento e com o avanço da Revolução 4.0 - marcada pelo surgimento da internet e dos mais diversos canais comunicativos-, essa tal interação cultural ficou a cargo das publicidades expostas nas mais distintas mídias sociais. Sob tal perspectiva, evidencia-se a importância da representatividade nos veículos de comunicação. Outrossim, a falta de representatividade gera um sentimento de não pertencimento e incapacidade, como afirmado por Guy Debord, o espetáculo apresentado é capaz de moldar a vida dos indivíduos. Nesse viés, os cidadãos que não se veem representados nas propagandas e publicidades desenvolvem um sentimento de inferioridade e são marginalizados no âmbito social, haja vista que não se ver em uma propaganda, filme, série ou como autor dos seus sonhos resulta em um sentimento de incapacidade e inadequação, entretanto, situações como essas são corriqueiras para as pessoas que não se encaixam nos padrões pré-estabelecidos da sociedade atual. Tal situação é comprovada pelos estudos da Universidade Colleg London, o qual aponta que quem mais de 35% dos adolescentes que usam redes sociais em excesso apresentam comportamentos depressivos. Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas para impulsionar a diversidade nas publicidades. Incumbe-se ao Governo Federal, por entremeio das Mídias Sociais e empresas cinematográficas, destinar verbas – fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União- para a elaboração de propagandas, filmes e séries com protagonistas de diversas aparências e culturas. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde fomentar verbas para a construção de Centro de Atenção Psicossocial para atender os cidadãos que sofrem de doenças mentais provenientes da exclusão midiática. Feito isso, forjar-se-á uma sociedade pautada em uma harmonia midiática.