A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/08/2021
É fato que, por ser um país “tropical”, de acordo com o compositor Jorge Ben Jó, o Brasil não possui um rosto definido, ou seja, é impossível que determinada pessoa expresse traços relativos à nação. Entretanto, apesar de ser uma realidade notória, isto é, ausência de um padrão físico no cotidiano brasileiro, a percepção das diferenças da população não é revelada em propagandas e anúncios, que ainda insistem em inclinarem-se para estereótipos visuais “normais”. Nesse viés, ações desse tipo provocam a falta de identificação por parte da população, além de ditar indiretamente modelos que devem ser seguidos.
Em primeira análise, é importante ressaltar que desde a colonização do Brasil houve uma inclinação para o estereótipo europeu, o que infelizmente ainda perdura. Nesse sentido, enraizou-se um modelo que deve ser seguido e, consequentemente a exclusão expressiva da diversidade brasileira. Certamente, com isso um problema de identificação foi gerado pela falta de compromisso, tanto das agências publicitárias, como também dos anunciantes, que não se preocupam em introduzir a realidade distinta existente no país, em relação não somente à diferença física, mas também regional e comportamental. Inquestionavelmente, a vigência de propagandas sem compromisso com a verdade em vigor, ocasiona um não reconhecimento por parte do público, gerando por conseguinte comparações absurdas, entre as pessoas e colocando em risco diversos âmbitos da saúde da população, que pode chegar a afetar a autoestima e até mesmo causar transtornos severos.
Em segunda análise, a falta de representatividade juntamente com uma ditadura de padrões desqualifica a diversidade brasileira, que não está contida numa norma. Com certeza. tal questão é facilmente perceptível por exemplo. no preconceito em relação ao cabelo, que por muito tempo foi propagado um certo ideal capilar, do tipo liso sem friz que, consequênciou em muitas pessoas à renuncia dos seus fenótipos na busca do encaixe no modelo “correto”. Com isso, prova-se a importância da representatividade nas propagandas, justamente para legitimação das diferenças e encorajamento a declaração das discrepâncias e, mais importante ainda, evitar ações comparativas.
Em síntese, de acordo com os argumentos supracitados, percebe-se a necessidade de representatividade em propagandas, com o principal motivo de aludir á população brasileira. Portanto, urge que as agências de publicidade englobem pessoas de características distintas, ou seja, pessoas reais, por meio do rompimento dos padrões previamente exigidos aos profissionais da área. para representarem nos anúncios e propagandas e, efetivamente promoverem identificação no público alvo, via mecanismo que estão dentro da realidade.