A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 03/08/2021

O escritor Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra “Raizes do Brasil”, remete à construção do povo brasileiro, marcada pela miscigenação de diversos povos desde o ínicio da colonização do país. Por conseguinte, na contemporaneidade, a sociedade abrange uma ampla diversidade cultural e, portanto, étnica. Com isso, surge a questão da importância da representatividade, a qual persiste ausente na publicidade hodierna, seja por causa do Estado negligente ou da sociedade ignorante.

Em primeira análise, é valido salientar que a naturalização da exclusão racial presente na publicidade é fruto de uma negligencia estatal. Nesse sentdo, a Constituição Federal de 1988 ao assegurar, por meio do artigo 5, a igualdade de todos perante a lei, torna-se utópica, visto que não há paridade na publicidade do Brasil. Essa, constituida em sua maioria por atores de cor banca e, em decorrência disso, ocorre a ausência de pertencimento a sociedade, e interesse pelo produto, daqueles indivíduos que não se identificam com a publicidade, logo, a exclusão é prejudicial.

Em segunda análise, é indubitável afirmar que a ausência de diversidade estética nas propagandas, afeta a autoestima dos que são silenciados na mídia. Dessa forma, a escritora negra Carolina Maria de Jesus, ao afirmar que “me sinto um objeto fora de uso, digno de estar em um quarto de desppejo”, define as minorias que além da discriminação da sociedade, sofrem da exclusão na publicidade. Isso decorre, principalmente, da cultura ignorante presente no Brasil, que perpetua uma população apática, a qual não protesta contra a negligencia da publicidade pois não empatiza.

Portanto, medidas são necessárias para mudar o cenário da publicidade. Para tanto, o Governo deve promover a igualdade prometida pela lei, por meio do projeto “Ator brasileiro”. Nele, se tornará obrigatório a igualdade numérica de atores de todas as raças e estéticas nas publicidades que são vinculadas, por meio de incentivos aos atores que sofreram exclusão no seu campo de atuação, a fim de que aja, enfim, representatividade na mídia do país. Somente assim, a Constituição Brasileira deixará de ser utópica.