A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 03/08/2021
Ainda no início do século XX, Nair de Teffé, embora ninguém percebera, se tornou a primeira caricaturista do Brasil. Isso aconteceu porquê publicara todas as suas ilustrações pelo pseudônimo masculino de Rian em uma época em que as realizações de mulheres não eram bem-vindas ao público. Ao chegar à atualidade, o cenário se modifica com a gradual abertura do espaço midiático aos grupos marginalizados, os quais, por séculos, lutaram pela chance de serem vistos e ouvidos. Diante disso, torna-se pertinente a discussão sobre a importância da representatividade na publicidade.
No que tange aos veículos midiáticos, nota-se que foram nacionalizados por uma aristocracia a partir da criação da imprensa brasileira em 1808. Desse modo, aos moldes de uma sociedade segregacionista, o desenvolvimento desse meio se deu paralelamente a processos de libertação e reconhecimento de diversos grupos da população durante todo o século XIX e XX. Assim sendo, eventos como a abolição da escravidão em 1880 e a aplicação do sulfrágio universal em 1934 se tornaram grandes marcos da inclusão social, que veio sendo conquista por pioneiros como o escritor preto Machado de Assis e como a própria artista Nair de Teffé.
Vale ressaltar ainda, a relevância da representação dessas classes em âmbito nacional. Como dito pelo poeta Oscar Wilde, ‘‘a vida imita a arte mais do que a arte imita a vida’’, a publicidade tem grande influência sobre como o indivíduo se vê inserido no mundo. Portanto, a má representatividade ou a total falta dela reflete diretamente na perspectiva de vida do mesmo, que passa a normatizar no cotidiano as consequências da exclusão social. Isto posto, o consumo e valorização dos trabalhos de pessoas diversas propiciam à população o desejo e possibilidade de êxito.
Em virtude dos fatos mencionados, podemos afirmar que para um povo plural é necessária a representação pluralizada. Cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Cidadania, agir em prol da inclusão de minorias na publicidade nacional através da promoção de insentivos a negócios que tenha compromisso com a exposição de grupos historicamente marginalizados. Desse jeito, pessoas das mais variadas origens sentirão a validação de terem suas histórias exibidas e celebradas nos maiores meios de comunicação do país.