A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 03/08/2021

O livro “O Olho Mais Azul”, da autora Toni Morrison, mostra a personagem Pecola, uma criança negra que está inserida no contexto de segregação racial da sociedade americana dos anos 1940, a qual reza todas as noites pedindo para ter olhos azuis e, assim, poder se encaixar nos padrões de beleza. De maneira análoga à ficção, muitas pessoas no século XXI ainda são estereotipadas e colocadas à margem devido à predominância de publicidades com um mesmo tipo de cabelo, corpo, raça, sexo e genêro. Dessa forma, a importância da representatividade nesses meios ocorre porque ela pode colaborar para uma sociedade mais igualitária e para romper com as estereopatizações existentes.

Em primeira análise, vale ressaltar que a representatividade nos meios publicitários é muito importante para obter uma sociedade equitativa. Nesse viés, com a propagação dos meios de comunicação televisivo e de internet, os sujeitos buscam a representação de suas classes nesses âmbitos, a fim de sentirem-se acolhidos e pertencentes ao meio social. Dessa forma, uma vez que ocorre a tipificação dos corpos que devem ser predominantes nas propagandas, exclui categoricamente grande parte da população, que, antes de tudo, é miscigenada e diversa. De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, quando ocorre a falta de visibilidade de grupos específicos, por não pertencerem aos padrões sociais impostos pela mídia, quebra-se o direito constituicional previsto a todos os cidadãos brasileiros.

Ademais, é preciso pontuar que a representação de corpos diversos na publicidade contribui para acabar com os estereótipos existentes. Nesse contexto, quanto mais a pluralidade for abrangida pelos anúncios publicitários, mais promoção da aceitação da diversidade e da quebra de padrões ocorrerá, pois esses anúncios têm a capacidade de comoção e de influência comportamental. De acordo com pesquisa divulgada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 80% das figuras humanas que aparecem nas propagandas são de pessoas brancas. Dessa forma, quando apenas uma classe de pessoas é explorada, figura um incentivo aos telespectadores acreditarem que apenas esse tipo é aceitável. Assim, a falta de representatividade contribui para a marginalização de alguns grupos.

Portanto, vista a importância da representatividade na publicidade é preciso medida que corrobore com a sua promoção. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela inclusão social, promova campanhas voltadas para as agências de publicidade. Essas campanhas deverão abordar a importância das marcas em explorar a diversidade de perfis, visto que pode agregar a elas maior visibilidade, pois atingirá diversos públicos. Com efeito, será possível ter uma sociedade inclusiva e menos estereotipada, promovendo até a autoaceitação, o que não ocorreu com Pecola.