A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 03/08/2021
Na obra “Operários”, da autora modernista Tarsila do Amaral, a sociedade brasileira é retratada de acordo com a sua diversidade, a qual retrata a miscigenação do país. Assim, embora seja uma pintura do século XX, a mistura de povos é característica da nação, em que a representatividade dos grupos sociais faz-se importante -sobretudo na publicidade-, seja para contribuir com o processo de inclusão social, seja para quebrar com os padrões eurocêntricos ainda presentes no Brasil.
Em primeira análise, afirma-se a importância da representatividade nas campanhas publicitárias para a inclusão social e “visual” de todos os grupos que compõem o Brasil. Consoante o filósofo francês Michel Foucault, o homem é uma construção biológica, social e psicológica, em que a sustentação do pilar psíquico é alcançado através do bem-estar. De maneira análoga ao pensamento filosófico, a representação dos diversos povos que compõem a nação brasileira, na publicidade, é imprescindível para alcançar o equilíbrio humano foucaultiano. Assim, é notória a necessidade de representar as diversas características do corpo social em propagandas e anúncios, visto que a partir dessas ações, a miscigenação do país é reconhecida e o importante sentimento de pertencimento dos indivíduos dentro de um todo é desenvolvido.
Outrossim, é importante ressaltar a imprescindibilidade de representar a diversidade dos grupos brasileiros -inclusive os que são considerados minorias- na publicidade para romper com os padrões estéticos europeus. Segundo o escritor da primeira geração modernista Mário de Andrade, no poema “Descobrimento”, o autor utiliza-se da ideia que a nação brasileira ainda não conhece a sua diversidade. Nessa perspectiva, embora seja um documento da década de 1920, pode-se fazer uma alusão ao atual cenário brasileiro, em que parcela da sociedade ainda não reconhece o outro como semelhante e apenas conserva e valoriza os padrões estéticos europeus como ideiais. Esse fato é nefasto e entristecedor, fazendo-se necessária a representação dessa diversidade nas campanhas publicitárias -como anúncios e propagandas- para que essa ganhe visibilidade e para que quebre o “paradigma estético europeu”.
Portanto, medidas são necessárias para a mudança do cenário atual. O Governo Federal, através do Ministério da Cidadania, deve representar a diversidade do corpo social brasileiro, por meio de campanhas publicitárias, as quais serão compostas por representantes de origens variadas -demonstrando a miscigenação do país-, a fim de que os indivíduos sintam-se e sejam, de fato, incluídos socialmente e também rompa com o padrão eurocêntrico ainda presente na nação.