A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 10/08/2021

O escritor modernista, Mário de Andrade, defendia a valorização da miscigenação brasileira, já que essa síntese de elementos díspares seria a característica marcante da sua exuberância e riqueza. No entanto, não é o que se vê nas publicidades em rede, haja vista a pouca participação de grupos marginalizados, dificultando a sua tão importante representatividade. Nesse contexto, torna-se necessário analisar a segregação histórica como principal motivo dessa restrição, assim como debater a visão de frente a integração dos povos.

Em primeiro lugar, sob o pensamento do psicólogo da USP, Fernando Braga da Costa, o papel social do homem é o que determina o seu reconhecimento. Mas, se reparada a história brasileira, grupos considerados ‘‘inferiores’’-como negros, mulheres e homossexuais- nunca possuiram direito de fala e, assim, de se verem representados. Dessa maneira, se observa que essa invisibilidade seletiva é apenas uma consequência da segregação social ocorrida desde a colonização e nunca reparada, indo de encontro a ideia do historiador Marc Bloch, de que a incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado.

Ademais, ressalta-se a repugnate postura adotada pelo Estado em relação à promoção das propagandas, nas quais o lucro perpassa qualquer noção de integração e cidadania.Sobre isso, Pierre de Bourdieu pensava que aquilo criado para ser utilizado como instrumento de democracia, não deveria ser convertido em mecanismo de opressão.Em contrapartida,por não haver políticas que procurem superar essa segregação,as publicidades brasileiras são marcadas por machismo, erotização e,como no caso dos anúncios de cerveja,a objetificação da mulher,pretendendo o financeiro.

Portanto, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com os veículos de divulgação, buscar uma maior representatividade de grupos segregados, por meio do oferecimento de maiores cotas na rede para aquelas empresas que compremeterem-se com a valorizaçao de camadas marginalizadas, com o objetivo de efetivar a pluralidade marcante do país.