A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 04/08/2021
O filme brasileiro “Alice Junior”, de 2019, é um marco para o cinema socioculturalmente por retratar a vivência de uma jovem transgênero de forma leve e tranquila, ressignificando, assim, sua história, anteriormente retratada apenas de forma marginalizada. Ao longo da trama, a narrativa acompanha a vida de Alice, com os problemas e crises de qualquer adolescente da sua idade em um escola nova, emocionando milhares de jovens, também não cisgêneros, pelo país ao se sentirem vistos e representados em uma posição de protagonismo. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada àquela do Brasil no século XXI: Importância da representatividade na publicidade brasileira como forma de combate ao preconceito e a problemas quanto a autoestima.
Em primeira análise, é importante destacar que apesar de um país com raiz no preconceito, o Brasil tem se tornado, cada vez mais, aberto as diversidades. Nesse sentido, pode-se citar, por exemplo, o banco Bradesco, responsável por um comercial produzido em 2015, no qual havia a presença de um casal composto por dois homens, que foi extramamente criticado por um número expressivo de homofóbicos na época; Em 2021, a agência promoveu um comercial com a também presença de um casal de homens o qual, diferentemente do anterior, foi intensamente elogiado. Assim, a representatividade nas propagandas tem um papel de destaque na luta contra o preconceito ao conseguir mudar a visão de milhares, desproblematizando a questão da diversidade.
Além disso, é necessário entender que a autoestima e a forma de ver a si mesmo está totalmente atrelada à forma como se vê alguém semelhante. Nessa perspectiva, o sociólogo brasileiro Antônio Cândido cita: “As criações ficcionais podem atuar de modo subconsciente de modo que as camadas profundas da nossa personalidade podem sofrer um bombardeio poderoso daquilo que vemos.” Paralelamente, nota-se que quanto mais mulheres negras uma menina negra vê ocupando espaços na televisão, por exemplo, mais ela se sente capaz de ocupar esses lugares, se sente acolhida e bem consigo mesma, porque o que ela vê são pessoas, assim como ela, em posições de destaque.
Depreende-se, portanto, diante dos aspectos abordados, que a publicidade já não é mais uma ferramenta apenas de divulgação de produtos, mas se tornou um instrumento também de mudança o qual pode ser, cada vez mais, refinado e moldado. Para o aumento dessa representatividade nas propagandas, urge que ativistas sociais estimulem e exijam essa ação das empresas por meio de postagens nas redes e mensagens diretas às companhias com finalidade de tornar clara a importância disso para a sociedade. Somente assim será possível a existência de um mellhor país para se viver de forma plena, como a Alice, e não apenas sobreviver.