A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 09/08/2021

De acordo com o filósofo britânico, Thomas Marshall, a cidadania é garantida efetivamente quando há disponibilidade harmônica dos direitos civis, políticos e sociais. Entretanto, o último não é de fato garantido a todos, haja vista que, principalmente as minorias sociais, são pouco representadas nas propagandas. Desse modo, deve-se analisar que, por ter alto poder de impacto nas sociedades, a mídia é importante também por ser um meio de garantia da democracia.

De início, é necessário destacar a responsabilidade que a imprensa tem com uma maior inclusão, já que ela tem muita influência social. Nessa lógica, é fato que, com o mundo atual altamente conectado, as pessoas se baseiam principalmente no que veem na internet e televisão. Por conseguinte, se a maior parte das propagandas exclui atores negros, índios, da comunidade LGBTQIA+, entre outros, elas estarão enraizando na mentalidade brasileira que não há problema em marginalizá-los, já que a sociedade acredita que o que é transmitido na mídia é reflexo do pensamento moralmente correto. Para entender tal comportamento, é justo relembrar o conceito de violência simbólica do filósofo francês Pierre Bourdieu, na medida em que ele destaca a normalização do preconceito advindo de comportamentos majoritários, que acarreta na segregação social, já que, diante da seletividade e homogeneidade dos comerciais, a falta representatividade nesses meios violenta as minoriais, não necessariamente fisicamente.

Além disso, é igualmente preciso apontar a publicidade, sendo vertente da mídia, como veículo de garantias democráticas, como a inclusão social. Nesse viés, é claro que a imprensa tem um importante papel no que concerne a dar voz a todos, sem distinção. Contudo, seja pela exclusão de minorias, seja pela representação mal feita em comerciais, é evidente a deficiente representatividade como falha desse meio comunicativo. Em consequência, a publicidade deixa de ser um legítimo campo democrático, visto que trata os cidadãos desigualmente, o que está em contraste com o que o princípio da isonomia, artigo 5 da Constituição Cidadã, defende que todos são iguais perente a lei e devem usufruir de todos direitos, inclusive o de democratização, para que a cidadania seja efetiva, assim como afirmou o filósofo britânico.

Frente a tal problemática, faz-se urgente, portanto, que a instituição responsável por fiscalizações publicitárias, o CONAR, incentive uma maior representatividade por meio da criação de um sistema, este especificamente aprovado constitucionalmente, de cotas para que representantes de minorias tenham a chance de se candidatar assim como os outros, a fim de evitar a marginalização deles pela mídia e sociedade, além de permitir a imprensa a voltar a ser um meio democrático.