A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 06/08/2021
A Constituição Federal, de 1988, garante direitos iguais para todos os cidadãos. Entretanto, ela não tem sido respeitada, haja vista que as minorias, como pessoas negras e LGBTQIA+, não se encontram representadas nas campanhas publicitárias do país. Tal falta de representatividade tem raízes históricas e encontra como obstáculo para a sua superação o preconceito existente na sociedade.
Sob essa perspectiva, convém ressaltar que os negros e os LGBTQIA+ sempre enfrentaram dificuldades para serem inseridos no meio social. Pois, os primeiros, após a abolição da escravidão, não encontraram políticas de apoio para promoção de uma equidade entre indivíduos brancos, cheios de privilégios, e negros. Dessa forma, eles sempre viveram à margem da sociedade e, com isso, as marcas publicitárias não demonstraram, ao longo dos anos, interesse em representa-los. Já, o segundo grupo sempre foi associado, pela sociedade patriarcal baseada em alguns princípios bíblicos, a algo anormal, dessa maneira, até o início do século XXI era algo inaceitável ter, por exemplo, um casal gay em um comercial de uma empresa.
Ademais, atualmente, apesar das marcas apresentarem-se mais inclusivas, como a AVON que tem propagandas repletas de diversidade, o preconceito ainda impede que as minorias sejam melhores representadas, visto que os indivíduos preconceituosos não aceitam que a sociedade se torne mais igualitária. Para exemplificar, pode-se citar o apresentador Sikêra Junior, que fez um discurso de ódio contra os homossexuais após a rede de fast food, Burguer King, lançar uma campanha de apoio aos LGBTQIA+.
Portanto, faz-se necessário modificar esse cenário nefasto. Para tanto, cabe as grandes empresas, através da equipe responsável pelo marketing, estipular um percentual obrigatório de 45% a 50% para inclusão de propagandas em que as minorias sejam destaque. A fim de que haja uma maior representatividade na publicidade das organizações. Tal ação poderá, inclusive, garantir, em um futuro próximo, a redução na desigualdade em que as classes mais fragilizadas se encontram.