A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 05/08/2021
No filme Estrelas Além do Tempo, é retratada a trajetória de três cientistas da NASA que, por serem mulheres negras, têm que lutar muito para adquirirem lugar de fala em seu ambiente laboral. Fora dos tabloides da ficção, a sociedade brasileira ainda não põe em prática a equidade quando se trata de representatividade das minorias sociais na publicidade. Acerca disso, dois fatores se destacam: a falta de visibilidade dada aos afrodescendentes, e o reforço de estereótipos ideiais de beleza.
Em primeira análise, é importante salientar que a população e a cultura negra estão entre as mais importantes bases da identidade nacional. Por isso, é paradoxal que, segundo uma pesquisa do Grupo ABC, apesar de mais da metade da população brasileira ser negra ou parda, apenas 26% dessas pessoas sejam retratadas nos anúncios publicitários. Entretanto, os afrodescendentes tem uma participação significativa como coadjuvantes nas propagandas, corroborando o fato de que a pluralidade dos indivíduos está sendo colocada em segundo plano, em detrimento do padrão branco e europeizado muito presente nos veículos de comunicação.
Ademais, destaca-se que o fortalecimento de uma concepção do corpo ideal é recorrente na publicidade brasileira. Pois, apesar de quase metade da população feminina estar acima do peso no Brasil, 78% das mulheres representadas são magras, segundo a mesma pesquisa do Grupo ABC. Esse é um dos motivos pelos quais a maioria das mulheres não se identifica com a maneira como são retratadas nas propagandas, e por isso muitas acabam desenvolvendo problemas psicológicos acerca da própria imagem. Seguindo esse raciocínio, o fato da população acima do peso ter pouco reconhecimento na sociedade contemporânea é explícito no filme Dumplin, no qual a protagonista - que está acima do peso - se propõe a participar de um concurso de beleza como forma de protesto contra o estereótipo insituído na mentalidade do coletivo social.
Em epítome, é necessário tomar medidas a fim de que a representatividade seja mais expressiva no mundo publicitário. É, portanto, da competência da Secretaria Especial de Comunicação Social, promover a circulação de propagandas mais inclusivas, que dêem visibilidade às pessoas que não pertencem ao padrão ideal de beleza, mas que sejam condizentes com as características da maioria da população nacional, por meio de incentivos fiscais para os seus respectivos anunciantes, facilitando a veiculação desses anúncios publicitários, com o propósito de fomentar o sentimento de pertencimento à identidade nacional e a noção de representatividade do cidadão comum nas mídias.