A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 06/08/2021
No lançamento do filme da Marvel “Pantera Negra”, depois de séculos de marginalização dos seus expontes, a população afrodescente conseguiu finalmente se identificar no herói e na população de “Wakanda”. A partir desse contexto, nota-se a necessidade da ampliação do número de publicidades que retratem fielmente a pluraridade etnica do ser humano. Sendo assim, torna-se crucial entender o fator responsável pela elitização das figuras apresentadas nos meios publicitários e o seu principal impacto.
Diante dessa situação, é fundamental pontuar, como principal culpado pela falta de representatividade de “minorias minorizadas”, a visão eurocentrica perpetuada através dos séculos. Segundo a antropóloga Lilia Moritz, o Brasil tem um enorme passado pela frente. Entretanto, essa afirmação não se restringe, apenas, ao contexto nacional. Nesse viés, percebe-se que, nos períodos coloniais tanto do continente sul-americano quanto dos continentes africano e asiático, houve uma violenta supressão dos expontes nativos que perdura até hoje. Dessa forma, é evidente que todo esse sistema neoliberal segregador de culturas não é um crise que o capitalismo busca superar, mas sim um projeto orquestrado para a manuntenção da hierarquia de “Primeiro Mundo”.
Ademais, é imprescindível expor o impacto que a escassez simbólica causa na saúde mental dos tecidos sociais ao redor do mundo. Sob essa ótica, entende-se que, pela particularidade política da raça humana, sempre houve uma incessante busca por autoafirmação no corpo social no qual o sujeito está inserido, porém com o advento da tecnologia essa necessidade se ampliou ao máximo. Dessa maneira, depreende-se que, com a pobreza representativa da indústria da propaganda, o indivíduo desenvolve a sensação de insuficiencia estética e, na tentativa de sanar suas dificuldades de autoimagem, além de criar um ambiente psicológico proprício para a disseminação de transtornos alimentares como a anorexia e bulimia, recorre a procedimentos cirurgicos invasivos e desnecessários. Tal questão é exibida no filme “To The Bone” que mostra a luta de uma adolescente exposta à anorexia.
Portanto, uma ação em prol da democratização de personagens publicitários, especialmente no Brasil, é imperativa. Para isso, é imprescindível que o Poder Legislativo atue na mitigação de atividades de propagandas restritivas. Tal iniciativa ocorrerá por meio da implantação de um projeto de lei efetivo a favor de ações afimativas na publicidade. Essa atitude tem como objetivo, sobretudo, fomentar o desenvolvimento de uma mídia plural, para que possa ser perpetuada o sentimento de integração social e, assim, extinguir o avanço dos trantornos psicológicos anteriormente citados. Afinal, é indispensável expandir o universo da representatividade para além dos muros de “Wakanda”.