A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 06/08/2021

No livro “O Olho Mais Azul”, da escritora Toni Morrison, a personagem Pecola pede para ter olhos azuis, a fim de se encaixar nos padrões de beleza, sendo uma criança negra que está inserida no contexto de segregação racial da sociedade americana. De maneira análoga à ficção, muitas pessoas ainda buscam um corpo idealizado devido à predominância de publicidades que exploram as principais referências de beleza, que, geralmente, são pessoas brancas e magras. Com isso,  pessoas diferentes do exposto são colocadas a margem, sendo, assim, importante a representatividade na publicidade para promover a autoaceitação e romper com os estereótipos existentes.

Em primeira análise, vale ressaltar que a representatividade nos meios publicitários é muito importante para promoção da autoaceitação dos indivíduos. Nesse viés, a inclusão de grupos sociais até então subjulgados como inferiores – negros, homossexuais, deficientes, LGBTQIA+ – nas publicidades tende a suscitar um maior acolhimento e expressão das pessoas que fazem parte desses grupos devido ao reconhecimento propiciado. Dessa forma, foi criado o movimento Corpo Livre, pela ativista Alexandra Gurgel, com o intuito de promover a autoaceitação corporal nas redes sociais, por intermédio da divulgação de corpos diversos. Logo, movimentos desse tipo contribuem tanto para a aceitação própria como também para diminuir a discriminação na sociedade, levando à aceitação do outro assim como ele é, diminuindo comportamentos discriminátorios, uma vez que atinge diversos públicos e ajuda a romper os abismos sociais que levam a exclusão.

Ademais, é preciso pontuar que a representação de corpos diversos na publicidade contribui para acabar com os estereótipos. Nesse contexto, quanto mais a pluralidade for abrangida pelos anúncios publicitários, mais promoção da aceitação da diversidade e da quebra de padrões ocorrerá, uma vez que esses anúncios têm a capacidade de gerar comoção e de influenciar comportamentos. Segundo pesquisa divulgada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 80% das figuras humanas que aparecem nas propagandas são de pessoas brancas. Dessa forma, quando apenas um tom de pele é explorado, figura um incentivo aos telespectadores acreditarem que apenas esse tipo é aceitável.

Portanto, vista a importância da representatividade na publicidade é preciso medida que corrobore a sua promoção. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela inclusão social, promova campanha voltada para as agências de publicidade. Essa campanha deverá abordar a importância das marcas em explorar a diversidade de perfis, visto que pode agregar a elas maior visibilidade, pois atingirá diversos públicos. Com efeito, será possível ter uma sociedade inclusiva e menos estereotipada, promovendo a autoaceitação, o que não ocorreu com Pecola.