A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/08/2021

Meghan Treinor, cantora estadunidense, na canção “All About That Bass” reflete sobre como a publicidade cria um padrão ilusório e estereotipado do corpo feminino e como tal ação tem o poder de influenciar a percepção das pessoas sobre o que é beleza. Ou seja, a música faz uma analogia ao poder de persuasão conferido ao ramo publicitário e como ele pode ser atuante na compreensão das relações sociais. Dessa forma, uma representatividade real e justa da população é fundamental para a construção de uma sociedade equidosa e que essa ainda não é uma realidade, porque a mídia é capaz de reforçar a persistência de discriminações estruturais na mentalidade das pessoas.

Em primeira análise, é coerente afirmar que a publicidade exercer grande poder de defluência sobre a sociedade contemporânea, uma vez que a mesma vive orientada pelo consumo o que intensifica e credibiliza tal canal de comunicação, a partir disso deveria representa-la em sua totalidade. Haja vista que em contrapartida é capaz de legitimar e fortalecer pensamentos preconceituosos. A exemplo disso, quando uma propaganda prioriza o protagonismo do corpo branco, magro, alto e com cabelo liso atribui somente a ele o conceito de beleza. Distante disso, segundo dados coletados pela Agência Brasil cerca 55% da população brasileira é parda ou negra, contudo representam apenas 25% das pessoas retratadas na publicidade. Isto é, a voz e poder conferidos a propaganda sobre o agrupamento social não reflete equitativamente o mesmo.

Sob outro viés, é inferente dizer que o mercado publicitário encontra barreiras na busca da produção de um conteúdo que verdadeiramente enalteça a beleza da diversidade, em decorrêcia desse representar intolerâncias estruturalmente presentes na sociedade. Uma vez que ao hipersexualizar um corpo feminino, por exemplo, confirma o preconceito de gênero ainda atual no mundo, visto que houve uma cultura essencialmente patriarcalista na construção das relações sociais. Por conseguinte, ratificando tal contexto, de acordo com Nanette Braun, chefe de defesa da Organização das Nações Unidas Mulher, “A maneira como as mulheres são retratdas na mídia perpetua atitudes discriminatórias e sexistas e a noção de que as meninas e mulher não contam”. Ou seja, a publicidade pode ser um vetor de atitudes e pensamentos intolerantes.

Portanto, a julgar pela importância de uma maior repesentatividade na publicidade torna-se imperioso que o meio publicitário busque valorizar a diversidade e representa-la fielmente, quebrando o estereótipo do considerado belo, por intermédio da atribuição de um espaço mais equidoso nesse ramo, a fim de que o indivíduo que consome o produto propagandístico se enxergue nele e assim reforce o sentimento de igualdade perante a sociedade e evite a persistência de práticas intolerantes.