A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 06/08/2021

Para Isabel Aquino, diretora de planejamento, nada vai mudar se as pessoas não mudarem seus pensamentos, pré-conceitos e julgamentos. Nessa linha de raciocínio, no mundo das publicidades ha percepção de supremacia dos padrões de beleza em detrimento das diversidades de raças, sexualidade e gêneros presentes na sociedade. Assim, é importante comentar a respeito da falta de representatividade e as comparações que levam a transtornos mentais.

Em uma primeira análise, segundo dados estatísticos, 53% da população brasileira é negra ou parda, mas apenas 26% dessa porção são retratadas na publicidade e 48% das mulheres estão acima do peso e ainda assim, 78% das mostradas nas propagandas eram magras. Em peças publicitárias o percentual de protagonistas negras é de apenas 25%, enquanto o dos homens consegue ser ainda menor, demonstrando um protagonismo majoritariamente branco. Com todo esse parâmetro, é imposto o estereótipo de corpos brancos, magros, altos, de cabelos lisos, heterossexuais e hipersexualizados. O diálogo entre o mercado não está se conectando com os consumidores da forma ideal, eles simbolizam menos da metade dos cidadãos, são pouco inclusivos.

Ademais, essa exclusão social, pode gerar uma obsessão pelo modelo perfeito, em que 65% das mulheres não se identificam com a maneira como são retratadas na publicidade brasileira, de acordo com a pesquisa de mulheres (in)visíveis realizada pela 65/10 em parceria com o Grupo ABC, estimulando por meio dessas campanhas as pessoas a legitimarem comportamentos depressivos, bulímicos e ansiosos. A aceitação se torna mais complicada, pois não se sentem vistos pela sociedade, ou bons e capazes o suficiente para estarem em uma capa de revista, por exemplo. Esse lembrete da ausência de diversidade está presente no cotidiano, por meio dos outdoors, novelas, redes sociais, propagandas e filmes.

Diante do exposto, fica claro que medidas precisam ser tomadas para haver uma maior inserção da variedade de indivíduos na comunidade. Sendo assim, é essencial que o governo federal crie campanhas com intuito de informar para as marcas sobre a importância de se posicionarem nessa questão e haver uma participação maior dos demais grupos, e se, ainda assim, o problema não diminuir, o pode legislativo deve formular leis que torne obrigatório a atuação de diferentes perfis de pessoas e histórias reais. Somando a isso, é importante a criação de clínicas de tratamento psiquiátrico gratuitas para que a população consiga lidar melhor com essa realidade de pouca representatividade. Dessa forma, existirá uma inclusão maior e as empresas poderão contribuir com valores de um mundo socialmente mais igual.