A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 06/08/2021

Os famosos desenhos da boneca “Barbie” encantaram os mais variados públicos durante décadas; no entanto, apesar de ter uma audiência tão heterogênea, tais filmes restringem seus personagens a padrões estéticos e comportamentais. Analogamente ao que ocorre com as longas-metragens do brinquedo, a publicidade brasileira atual encontra dificuldades para colocar em cena as pessoas consideradas para o estereótipo esperado. Assim, cabe analisar a representatividade da mulher negra na propaganda, como também o papel da publicidade para o grupo LBGQIA +.

Primeiramente, é válido ressaltar que o padrão de beleza brasileiro, desde o século XVI, excluía traços de mulheres de pele escura; todavia, apesar de o cenário no século XXI ter mudado, uma população feminina negra ainda encontra-se mal representada. Isso ocorre, uma vez que o Brasil foi colonizado pelos europeus, os quais repudiavam qualquer traço negroide, dessa maneira, sempre representado tais como destituídos de beleza. Diante disso, apesar do contexto ter mudado, a mulher de pele escura ainda é colocada em segundo plano na mídia, dado que participam apenas de ¼ de peças públicas - segundo dados da agência “Heads”. Por conseguinte, nota-se que há uma predominância de traços finos sobre os mais grossos, de forma a ainda excluir a parcela feminina negra.

Outrossim, é importante compreender que apesar de atualmente a mídia incluir e apoiar pessoas do grupo LBGQIA +, num passado não tão distante, esse agrupamento era estereotipado e envergonhado, de forma que tais cenas ainda persistem, sendo assim necessário erradicar essas concepções. Isso é uma realidade, dado que, os primeiros filmes de Hollywood que retrataram pessoas homossexuais, que tinham o objetivo apenas de “fazer comédia” e ridiculariza-los, à exemplo do filme “Boys Beware”, de 1961. De modo mesmo, ocorre na mídia brasileira, em que personagens gays são representados apenas como afeminados, como os personagens “Crô”, que atua no filme de mesmo nome. Nesse sentido, cabe erradicar tais estereótipos, visto que os integrantes do grupo LGBQIA+ tem personalidades tão normais e diversas quanto pessoas cisgêneros.

Portanto, depreende-se que a publicidade enfrenta desafios acerca da representatividade. Logo, cabe a Secretaria Especial de Comunicação Social - pasta governamental responsável pelas mídias -, por meio do direcionamento de verba, criar leis que exijam a mesma quantidade de pessoas brancas e negras em propagandas, com o fito de desfazer a visão de que traços negros não tem beleza. Ademais, é fundamental que as redes sociais, como Instagram, se mobilizem contra estereótipos de pessoas LGBTQIA +, por meio de movimentos e hashtags, com o objetivo de que esse seja o grupo melhor representado na publicidade.