A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 10/08/2021

Frida, famosa pintora mexicana, ficou conhecida por sua originalidade em seus autorretratos realistas, mostrando suas imperfeições e peculiaridades. Em contrapartida, as publicidades ainda reproduzem padrões de vida e beleza distantes da realidade social, sendo necessário debater sobre a importância da representatividade nesse meio e os impasses gerados pela indústria cultural, como racismo e preconceito.

A priori, Mário Sergio Cortella definiu a mídia como corpo docente da sociedade, logo, a publicidade como atuante desse agente tem papel importante de formação ética e de cidadania. Sendo assim, é válido que marcas e empresas busquem uma representação do seu público nas propagandas visando o sentimento de identificação através da diversidade em seus anúncios. Com isso, além de contribuir para disseminação da pluralidade brasileira, o marketing reflete positivamente na venda de seus produtos por atingir uma maioria.

Ocorre que, de acordo com a pesquisa Mulheres Invisíveis, 56% da população brasileira é negra ou parda, mas apenas 26% são retratadas na publicidade, o que reforça o preconceito estrutural incentivado pela indústria cultural. Tal indústria é responsável pela divulgação de padrões que não dialogam com a veracidade brasileira, como a imagem da mulher magra e do homem branco bem sucedido que retrata o racismo e um modelo europeu idealizado de corpo. Isso faz com que uma maioria esmagadora  da sociedade não se veja nos anúncios e consequentemente renuncie produtos, intensificando a desigualdade social.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para aumentar a causa identitária na publicidade, Assim, a mídia deve promover a inserção de todos por meio de propagandas que tenham como destaque a representação  da verdadeira sociedade brasileira. Para que com isso, descontrua-se os esteriótipos enraízados e originalidades como Frida sejam a nova cara das campanhas.