A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 10/08/2021
Segundo o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Apesar disso, a indústria midiática, por meio da publicidade, ainda carrega vários estereótipos de beleza que não são encontrados na maioria das pessoas, trazendo, desta forma, representatividade apenas para uma parte pequena da população. Assim, a população negra, feminina e até mesmo a masculina, não se sente simbolizada na sociedade dos dias de hoje, em virtude das campanhas perpetuarem esse padrão e das manifestações sobre o assunto serem taxadas como desnecessárias.
Em primeira análise, é notável que a mídia persiste em apresentar apenas uma minoria dos indivíduos nos anúncios publicitários. Somente aqueles que são brancos, altos, magros e de cabelos lisos que se encontram retratados neles, deixando, deste modo, a diversidade étnica, racial e de gênero em segundo plano. Uma pesquisa realizada no Brasil pela 65/10, junto com o grupo ABC, mostrou que 65% da população feminina não se sente representada nas campanhas publicitárias e que 70% das mulheres simbolizadas eram magras. Mostrando, infelizmente, a exclusão existente dentro da indústria midiática, uma vez que coloca sempre em protagonismo aqueles indivíduos dentro do padrão imposto à sociedade e, assim, elimina as características da maioria das pessoas.
Segundamente, de acordo com o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, “é livre a manifestação do pensamento”. Deste modo, é observado que as discussões sobre a importância da representatividade nos anúncios publicitários são possíveis, apesar de serem consideradas, por um número grande de indivíduos, como inorpotunas e supérfluas, uma vez que, na sociedade, pessoas caracterizadas por estarem dentro de um padrão de beleza são supervalorizadas e ainda há aquelas que não veem problema nesse processo de exclusão, levando, desta forma, a considerar as manifestações sobre o assunto inválidas e desnecessárias.
Portanto, depreende-se a relevância da diversidade nas campanhas publicitárias. Para que isso ocorra, o Governo deve promover, na indústria midiática, a representatividade das pessoas não estereotipadas, isto é, negros, indivíduos com cabelo cacheado, cadeirantes, por meio de anúncios e propagandas que contenham elas como protagonistas da ação, a fim de potencializar a pluralidade da população e, desta forma, retratar uma sociedade mais igualitária e inclusiva.