A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/08/2021
De acordo com a pesquisa Mulheres (in)visíveis, realizada pela 65/10 em parceria com o grupo ABC, O que se vê nas publicidades, hoje em dia, ainda é o reforço do esteriótipo da beleza idealizado em corpos brancos, magros, altos, de cabelos lisos e hipersexualizados. Entretanto, essas escolhas publicitárias criaram, por consequência, movimentos responsáveis por reivindicar uma maior participação dos grupos minoritários que acabam por ser excluídos de tais campanhas publicitárias. A importância dessa representatividade se dá por exemplo: no auxílio com problemas de autoestima e no combate contra preconceitos enraizados na sociedade.
Em primeira análise, é possível observar, através do estudo da história, como a falta de representatividade não é um problema novo na sociedade. Em pleno século XVIII, na França, foi criada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento de caráter juducial que excluia as mulheres. Atualmente, essa falta de representação se dá das mais diversas formas na publicidade, principalmente com o reforço do protagonismo de atores que reproduzem padrões de beleza excludentes, os quais podem levar à sensação de inferioridade dos espectadores pertencentes a grupos que não condizentes com os retratados. A inclusão de pessoas com diversas características começa a fazer com que aqueles que não se veem nas publicidades, encontrem um local de representatividade e empoderamento.
Em segunda análise, a facilidade da disseminação de informações mediante os meios de comunicação, destacando-se os virtuais, proporciona uma absurda exposição diária a propagandas, que, consequentemente fortalecem o enraizamento de preconceitos e esteriótipos estéticos. A fim de acabar com essa reprodução, a representatividade mostra que minorias assim como as mulheres, negros, indígenas, LGBTs entre muitos outros também têm o direito de ocupar o seu espaço e lutar contra a padronizações, assim como as apontadas pela pesquisa Mulheres (in)visíveis. Um pensamento que descreve muito bem essa vontade de se opor às imposições publicitárias é o da professora e filósofa estadunidense Angela Davis que disse: “Não estou mais aceitando as coisas que não posso mudar. Estou mudando as coisas que não posso aceitar!”.
Em virtude dos fatos mencionados, é de suma importância que medidas sejam tomadas. A fim de combater não só problemas relacionados a autoestima, como também preconceitos é necessárrio que o Ministério da Comunicação, órgão responsável por regular os serviços de comunicação, promova uma participação maior dos grupos minoritários, em publicidades, através de propagandas. Talvez assim, seja possível mudar as coisas que não podem ser aceitas, como Angela propôs.