A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 10/08/2021

Na obra cinematográfica “O Show de Truman”, estralada por Jim Carrey, o protagonista, sem perceber, vive numa realidade controlada pela mídia desde o dia do seu nascimento, em virtude disso possui uma visão deturpada da realidade. Longe da ficção,a sociedade brasileira, assim como o personagem, encontra na publicidade um universo diferente do genuíno, carente de representatividade. Isso se deve não só ao favorecimento de classe, mas também à baixa criticidade brasileira.

Primordialmente, é válido ressaltar a importância da representatividade na publicidade, dado o seu potencial como agente de transformação social. Entretanto, segundo o defendido pelo sociólogo alemão Karl Marx, numa sociecidade a produção cultural é gerada a fim de justicar e reforçar a dominação da classe dominante, detentora dos meios de produção. A partir desse pensamento, pode-se afirmar que o meio publicitário naturalmente, ao não haver ação contraproducente, reforça esteriótipos e favorece um grupo específico que detém o poder político ou financeiro. Em decorrência disso, aqueles que possuem fenótipos ou orientações divergentes do padrão sentem-se excluídos.

Concomitantemente, é imprescindível destacar a baixa criticidade brasileira como fator crucial nessa problemática. Segundo o estudo realizado por a empresa “Heads” ao fim do primeiro levantamento constatou-se que as pessoas negras correspondiam a míseros 3% dos protagonistas em publicidades, enquanto em 2018, após fortalecimento do movimento negro no país, esse número alcançou 25%. Diante desses dados, é passível se inferir que embora apresente uma melhora,o meio publicitário atual não representa de forma verossímil a sociedade brasileira, visto que, apesar de representarem a maior parte da população nacional, pretos e pardos sequer aparecerem em igual número aos brancos nessas campanhas. Isso se deve à pouca capacidade crítica do brasileiro, que, tal qual Truman, aceita passivo como informação que obtêm dos meios de comunicação,

Portanto, fazem-se necessárias ações do Estado. Cabe ao poder público implementar o sistema freiriano de ensino, por meio de cursos profissionalizantes que objetivem capicitar os docentes ao ensino voltado a geração do pensamento crítico, a fim de gerar uma sociedade mais reflexiva, e ,por conseguinte, mais politizada no que se refere à luta por uma maior representatividade em publicidades. Deve também, em parceria com ONG’s, concientizar sobre a importância da propaganda na sociedade e da necessidade de uma maior gama fenótipica nessa área, recorrendo à palestras e debates em escolas e em sedes dessas organizações, com o intuito de gerar maior comoção social, desse modo aumentando a representatividade.