A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/08/2021
A representatividade é a expressão de um ou mais grupos por meio de um representante, que deve estar comprometido com os interesses das pessoas por quem ele está falando. Tal qualidade é de suma importância no âmbito da publicidade, pois reflete a forma em que diversos grupos identitários são vistos pela população, porém, esse conceito ainda não é aplicado de forma correta na sociedade.
Em primeira análise, é notório o quanto a manutenção da reputação de grupos sociais inteiros está ligada a representatividade dada a eles na publicidade. Tal fator é elucidado pela teoria da tábula rasa de John Locke, que atesta que o ser humano é como uma folha de papel em branco, que deve ser preenchida de informações ao longo da vida. Dessa forma, a maneira que as pessoas são entendidas pelas massas depende fortemente das informações que elas absorvem durante sua formação, sendo grande parte dela atribuída pelas propagandas, que são fortes veículos de comunicação na sociedade contemporânea.
Por outro lado, a representatividade ainda não contempla os grupos identitários existentes da forma correta na publicidade, pois ainda existem minorias sociais que são excluídas desse contexto. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Grupo ABC, apesar de 53% das mulheres brasileiras serem negras ou pardas, essa etnia representa apenas 26% das retratações em propagandas. Conclui-se então que existem indivíduos com pouca ou nenhuma representação dentro das midias, de forma que o tratamento desigual recebido nesse âmbito pode ter reflexos dentro da própria sociedade, uma vez que se não houver valorização do representante de um grupo, todo o conjunto passa a a ser devalorizado, gerando consequêncidas graves, como o preconceito.
Em virtude dos fatores apresentados, nota-se a importância da representatidade na publicidade para a manutenção da identidade de um povo, entretando, esse aplicação desse conceito ainda precisa de ajustes para ser executada corretamente. Para isso, cabe ao Estado, como garantidor das necessidades básicas dos indivíduos, a oferta de mais oportunidades para as pessoas de grupos excluídos da sociedade, por meio de cotas em universidades públicas, para que elas possam ocupar os mesmos espaços dos grupos dominantes, estabelecendo uma igualdade de representantes em locais de destaque. Também cabe à mídia, como principal meio de comunicação das massas, o apoio ao exercício da cidadania das minorias sociais, por meio de propagandas e noticiamento de manifestações de insatisfação dos indivíduos, para que dessa maneira, as pessoas tomem conhecimento do problema da representatividade e se engajem cada vez para tentar resolvê-lo. Desse modo, a sociedade caminhará para ser um local mais justo e igualitário para todas as pessoas.