A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 13/08/2021
Durante séculos no Brasil houve apenas um padrão social aceito, caracterizado pela família heteronormativa e branca, qualquer pessoa ou coletivo que desviasse desse segmento era e ainda é rechaçado. Diante disso, hoje, com muito esforço de minorias, esse cenário está mudando, porém, ainda não é o ideal, em vista disso, por exemplo, na publicidade ainda não foi alcançada a plena representatividade de todos o grupos de indivíduos. A partir disso, é adequado entender a origem e o contexto da restrição publicitária na sociedade brasileira.
É útil ressaltar, de início, que a falta de representatividade na propaganda tem base histórica. Isso ocorre, porque uma visão conservadora foi difundida ao decorrer de séculos no Brasil, ou seja, elites, em decorrência de seus interesses pessoais, difundiram crenças pessoais a toda população, assim sendo, por conta disso, ignorou-se a diversidade cultural, classes sociais e pluraridade de gênero. Posto isso, evidentemente é incontestável a relação dessa vertente histórica supracitada na publicidade atual, pois o que é impulsionado ainda é concentrado em padrões étnicos, de gênero e classe. Prova disso é que pouco mais 80% das propagandas, entre 1987 e 2017, foram feitas por pessoas brancas, dados do estudo feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Ademais, é preciso entender o papel de uma publicidade democrática para um país. Nesse sentido, a empresa publicitária socialmente engajada, isto é, que participa ativamente das causas sociais, seja apenas expondo panoramas diversos ou profundamente crítica aos problemas sociais, é parte fundamental da cultura brasileira, visto que na sociologia a produção cultural é tudo aquilo que é criado e compartilhado pelos cidadãos de uma região. Dessa forma, é notório o vinculo da produção cultural com a propaganda, assim, por conseguinte, ao favorecer uma parte da sociedade e invisibilizar outra camada, configura um contexto desigual, sem representatividade e inferiozação, que ignora as escolhas individuais e a diversidade social. Dessa maneira, é possível perceber essa estrutura segregadora no projeto de lei 504/20, que tinha o intuito de censurar publicidade LGBT+ no estado de São Paulo.
Percebe-se, portanto, a necessidade de democratizar área publicitária. Destarte, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve promover o amplo acesso a todos os grupos sociais nas propagandas. Essa ação será feita por meio do programa “Representatividade Já”, que contará com um acessoriamento para as empresas propagandísticas, assim, será ensinado que abarcar mais camadas da sociedade o produto será mais valorizado e usado. Desse modo, com essas medidas, as empresas terão mais lucros e os cidadãos do Brasil se sentirão mais representados, afinal, é chegada de quebrar padrões de comportamento e abandonar atitudes segregatórias de outrora.