A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 09/08/2021

Na animação “O corcunda de Notre Dame”, Quasímodo é um homem que, por não ter uma aparência comum, não é aceito socialmente e é obrigado a se esconder entre os corredores da catedral e por debaixo de um capuz. Fora dos limites cinematográficos, as minorias também sofrem por não serem bem representadas ao público. Assim como o corcunda, são “escondidas” nos filmes, séries e comerciais de forma que sofrem com isso. Nesse contexto, é de extrema importância a ampla representatividade na publicidade para que seja apreciada a diversidade além da identificação com a imagem que é apresentada.

Em primeira análise, existe uma pluralidade em relação aos grupos étnicos, sexualidades e gêneros no Brasil que quase nunca é bem representada nas telas. Um estudo realizado pela agência Heads em conjunto com a ONU Mulheres, os homens negros com protagonismo nas publicidades brasileiras aparecem em apenas 7% delas. Com os LGBTQ+, sigla que representa multiplos gêneros e sexualidades,  essa porcentagem cai para 1,3% e em relação à pessoas com deficiência, atinge a marca de somente 0,8%. Isso mostra o quanto ainda é necessário trazer a tona o debate da importância da representatividade. É imprescindível que todos esses grupos tenham seu devido espaço no marketing, pois em um país com tantos grupos, é incoerente escondê-los para mostrar somente um predominante. A multiplicidade deveria ser vista como admirável e mostrada como tal.

Ainda, é de grande importância no marketing que haja a identificação do público com o que é apresentado para que não haja a perda da identidade cultural. Quando somente uma parte do povo é exibida, não ocorre o sentimento das minorias de pertencimento ao todo. Isso acarreta na falta de inclusão na própria sociedade, tornando-os cada vez mais marginalizados. Na canção “Poetas no Topo 3.3”, o rapper Kamau trás o verso “Para que alguns se sentissem no topo, alguém tinha que ser fundamento” se referindo à notoriedade de ter alguém que represente a minoria para que possa inspirar outros a se levantarem e ocuparem mais espaços. Dessa forma, a identidade cultural só será valorizada se primeiramente estiver presente em todos os campos sociais, o que inclui as publicidades,

Assim, é necessário que as grandes plataformas de marketing e publicidade ponderem como representam o público em seus comerciais e incluam cada vez mais grupos sociais diversos protagonizando os projetos. Para isso, é necessário que hajam cotas para que sejam englobados também as minorias e dessa maneira seja apreciada a grande diversidade do país e apreciado como um todo a identidade cultural de cada grupo, sem que nenhum se sobreponha, mas que haja a igualitária representatividade publicitária.