A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 12/08/2021
Joel Z. Araújo evidencia que a televisão e outros meios de comunicação não asseguram que crianças e jovens pretos tenham modelos que promovam sua autoestima e negritude. Conforme a máxima do autor, destaca-se o quão importante é a representatividade cultural na publicidade, em especial, para à parcela populacional de mulheres pretas. Contudo, para que essa representação ocorra em sua plenitude, é de extrema importância debater os seguintes impasses: O reforço de padrões de beleza impostos pela mídia e a exclusão da fenotipagem preta.
Em primeira análise, a “supermodelo” britânica Naomi Campbell relatou, que em seus 35 anos de carreira nunca protagonizou uma campanha de beleza feminina. Outrossim, embora Naomi seja considerada um ícone da moda, percebe-se que em seu relato tem como causa os padrões de beleza reforçados pela esfera midiática, que colocam em suas campanhas mulheres com estética europeia. Em segunda análise, acontece que mulheres pretas não estão dentro desse padrão e, por isso, são excluídas, em destaque, de campanhas de beleza. Por conseguinte, tais moldes estéticos afetam diretamente na autoestima dessas mulheres, que passam à associar essa falta de representatividade com sua negritude, assim como exclamado por Naomi, que atribuiu o motivo de sua exclusão com esse tipo de publicidade por ser uma mulher negra.
Ademais, em uma pesquisa social realizada pela agência Hades, constatou-se que cerca de 47% de mulheres pretas que protagonizaram campanhas publicitárias não obtiam traços negróides, ou seja, algumas campanhas excluiram traços como, por exemplo, o cabelo crespo, o nariz negróide e tons de pele mais escuros, que são fenótipos raciais recorrentes em indivíduos pretos. Dessa maneira, percebe-se que os padrões de beleza reforçados pela mídia também são usados como métrica estética para outras raças, buscando por selecionar somente aqueles que obtêm traços finos oriundos da miscigenação. Assim sendo, a exclusão dessas mulheres negras e seus respectivos traços negróides comprovam que a inclusão e representatividade não estão transparecendo a real diversidade presente na sociedade.
Por fim, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com veículos televisivos, como, por exemplo, Rede Globo e Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) criar uma campanha publicitária, cujo o tema será: “Não esconda meus traços”. Além disso, essa campanha será exibida durante toda semana do Dia da Mulher e Dia da Consciência Negra. O elenco deverá ser composto por mulheres pretas em suas diferentes tonalidades e traços, os quais são únicos e devem ser celebrados. Conclui-se, que somente assim, haverá uma inclusão que visa a representar sob a óptica real todos os corpos e traços.