A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 19/08/2021

No ano de 2021, a marca Natura trouxe na campanha de Dia dos Namorados as diferentes formas de relacionamentos, dentre eles o relacionamento LGBTQIA+. Tamanha propaganda inovadora, abriu portas para que fosse discutida a importância da representatividade, que é ainda muito escassa na publicidade brasileira. Essa escassez promove a manutenção de estereótipos e preconceitos, e gera a baixa autoestima nos sujeitos.

Primeiramente, é importante realçar o impacto que as publicidades geram na vida dos indivíduos. Nesse sentido, o ex-presidente da República, Getúlio Vargas, durante o Estado Novo usou do DIP (departamento de imprensa e propaganda) como forma de manter sua hegemonia e manipular ideologicamente os habitantes da nação. É notório que Getúlio conhecia o poder da mídia de transformar a maneira dos indivíduos de interpretar e de ver o mundo, poder esse que foi ampliado com o advento das novas tecnologias. Sendo assim a baixa representatividade corrobora para permanência de preconceitos e padrões que apenas segregam e impulsionam atitudes intolerantes.

Além disso, é vital salientar que a carente diversidade de minorias nas divulgações gera nas pessoas problemas com a própria imagem. Por esse viés, a cantora Alicia Keys disse em reportagem ao programa televisivo Fantástico, que durante sua infância sentia falta de mulheres negras na mídia e que um dos motivos para ela ter buscado a fama foi de servir de inspiração para que outras meninas pudessem se sentir representadas e fossem em busca de suas ambições. A cantora Alicia demonstra a importância da representatividade, que estando em falta acarreta nos indivíduos problemas de autoestima e autoaceitação, uma vez que não se sentindo incluídos, tendem a menosprezar suas singularidades.

Portanto, são necessárias medidas que ampliem a representatividade nos meios de propaganda. Assim como Getúlio Vargas, o Ministério das Comunicações deve usar de sua influência para gerar a representação das minorias no espaço brasileiro, por meio de propagandas a serem veiculadas nos diferentes meios de comunicação, nos horários de maior audiência e engajamento, a fim de que a diversidade de corpos, gêneros, raças, orientações sexuais, entre outros possa ser realçada. Ademais, o mesmo Ministério deve criar campanhas que reúnam as diversas pessoas influentes do país, para que se realizem conversas e debates sobre as particularidades dos sujeitos, a fim de gerar inspiração e inclusão.