A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 12/08/2021

Recentemente, um comercial do Burguer King que continha uma criança com dois pais dialogando sobre amor foi criaticada por grupos conservadores amplamente. Mas, afinal, por que a aparição de um casal homoafetivo causaria tamanho desconforto? Deste modo, faz-se necessária a reflexão acerca da importância da representatividade na publicidade.

Em primeiro plano, deve-se entender que as propagandas são uma poderosa ferramenta para normalizar a existência de grupos minorizados perante à sociedade. Para o filósofo Jacques Derrida, os preceitos são instituidos por meio de discursos normatizadores que são repetidos, construindo um modelo- padrão. Nesse viés, os canais de comunicação, ao exibirem e darem espaço aos corpos excluídos, estão legitimando suas identidades, reafirmando seu local na cultura, podendo quebrar estigmas.

Consequentemente, tal representatividade contribui para a autoaceitação e identificação de diversas indivíduos, desde a criança ao idoso. Como exemplo, Na Globo, a cantora Negra-Li conta o quão difícil foi sua infância por não se enxergar como bela em decorrência de ter apenas referenciais eurocentricas em suas bonecas, em séries e novelas, aglo que não se restringe a pessoas pessoas pretas, abrangendo indíginas, LGBTs e pessoas com deficiência.

Portanto, pode-se concluir que a representatividade pode modificar tanto a autoestima e percepção pertencimento do indivíduo quanto romber estigmas. Assim, é essencial que o Ministério das Comunicações deverá propor uma parceria pública-privada com grandes veículos como Globo, SBT e Record, que consista na destinação de 60% das campanhas publicitárias para modelos PCDs, LGBTs e PPIs, em troca da diminuição de 15% nas taxas tributárias. A medida tem por finalidade dar maior espaço aos grupos outrora marginalizados, garantindo suas identidades conforme seus direitos constitucionais.