A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 20/08/2021
A poeta Rupi Kaur defende que “A representatividade é vital” para demonstrar a necessidade de combater os estereótipos consolidados contra pessoas inferiorizadas. Nesse âmbito, percebe-se que, no Brasil, a tese da intelectual destoa da realidade de desvalorização da representatividade publicitária, haja vista a exclusão massiva de indivíduos rotulados inferiores de participarem do comércio publicitário.Nesse sentido, em virtude da banalização estatal presente nessa situação e da lenta mudança na mentalidade coletiva, emerge um problema complexo.
Em primeiro plano, a falta de políticas públicas efetivas caracteriza-se como causa dessa questão. A esse respeito, a Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma o respeito e a valorização digna entre pessoas. No entanto, evidencia-se, por vezes, que a falta de representação e visualização de determinados grupos, como negros e gays, nas situações publicitárias demonstra um distanciamento entre a ideia de respeito à diversidade e o panorama atual de descaso e menosprezo contra esses indivíduos. Diante disso, essa conjuntura banalizada pelo Estado é exemplificada, seja pela carência de oportunidades ofertadas às minorias para facilitar a sua entrada na publicidade, por exemplo, disponibilizando incentivos financeiros e sistemas de cotas a fim de buscar uma representação predominante dessas pessoas, seja pela ausência de programas estudantis, nas escolas públicas, que estimulem a autovalorização da personalidade negra e LGBT no cenário publicitário e midiático. Assim, fica clara a influência da inoperância estatal nesse quadro deficitário de pluralidade e diversidade.
Além disso, a importância maior dada a certos grupos em detrimento de outros evidencia a continuação de uma mentalidade retrógrada. Nesse contexto, os filósofos Adorno e Horkheimer alegam que existe uma padronização de personalidades e ideias para efetivar o sucesso e o benefício de segmentos da sociedade pela cultura de massa. Sob essa análise, a deficitária representatividade das minorias na esfera publicitária é explicada, em parte, por esse valor maior dado ao padrão social consolidado e almejado pela sociedade, como o de pessoas brancas e elitizadas nas propagandas, o que mascara a verdadeira pluralidade brasileira. Logo, é necessário alterar a mentalidade social em prol de uma quebra de padrões e valores segregacionistas estruturados.
Portanto, torna-se fulcral uma resolução. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular uma campanha ,que evidencie a necessidade de representar os segmentos inferiozados na publicidade, por meio do relato de vítimas dessa exclusão, com a finalidade de ampliar a diversidade nas mídias. Ademais, esse relato deve ser acompanhado de atividades escolares de conscientização, como palestras e debates. Dessa forma, a ideia de Rupi poderá ser verificada no Brasil.