A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 25/08/2021

Anteriormente, os anúncios comerciais descreviam uma realidade quase paralela, com pouca noção de proteção e representatividade: a sujeição de mulheres, a inexistência de LGBTs e o consumismo em crianças, vulgo o “eu tenho, você não tem”, etc., eram temas manifestados com frequência. Posteriormente, com movimentos sociais, a publicidade brasileira evoluiu consideravelmente no quesito retrato da diversidade da população. No entanto, apesar da importância da identificação individual, alguns pontos das propagandas precisam ser corrigidos, como a padronização cultural contraproducente da beleza e a supressão de algumas minorias, focando apenas no lucro.

Nesse sentido, Naomi Wolf, em “O mito da beleza”, argumenta que os padrões de beleza, pouco inclusivos, se sustentam graças à influência da mídia propagandista, a qual despende esforços nas fórmulas prontas e distantes da realidade, permeadas de estereótipos, a citar as mulheres hipersexualizadas em anúncios de cerveja — Skol — e o ideal de masculinidade ser traduzido em um corpo forte e viril, apenas — Old spice. Assim, tais condutas são obtusas por retratar fenômenos cotidianos irreais, para dizer o mínimo, e deixar de fora grande parte da população, bem como clientes em potencial, que não se sente representada nas propagandas. O caráter repetitivo e persuasivo dos anúncios constituem uma ficção social que influencia as crenças das pessoas, mas poucas marcas têm isso em mente ao divulgar produtos — é preciso um alarde ser criado nas redes sociais para que a consciência seja tomada pelas empresas. Afinal, a recepção popular influencia diretamente os lucros.

Outrossim, o poder midiático pode ser utilizado com propósitos mais nobres, ainda de forma a garantir lucros satisfatórios, pois quem não gostaria de ver suas necessidades retratadas com tanta especificidade? Com sua célebre frase, “o inferno são os outros”, Jean-Paul Sartre definiu o papel da comparação entre os indivíduos como algo essencial na vida humana, seja para o bem ou para o mal, é mister ter referências com as quais é possível criar uma identificação. Desse modo, a representa-tividade na publicidade tem a capacidade para redimensionar a realidade e incluir todas as diferenças.

Portanto, com base nos argumentos citados, compete ao segundo setor, em parceria com a sociedade, corrigir preconceitos históricos propagados pelos anúncios e buscar novas maneiras de incluir a plu-ralidade brasileira neles. Isso pode ser feito por meio da contratação de especialistas em antropologia e em marketing, os quais unirão conhecimentos a fim de criar anúncios tanto inclusivos quanto convi-centes. E, por intermédio das mídias sociais, não obstante, as empresas podem pedir a opinião e inves-tigar o perfil de consumidores e de clientes em potencial. Com isso, todos irão lucrar, pois os critérios de comparação serão utilizados de modo a promover o progresso, as vendas e o bem-estar social.