A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 28/08/2021

A personagem Verão, uma caricata mulher brasileira criada pela Itaipava, colocou em discussão um Projeto de Lei que proibia a veiculação de propagandas que sexualizassem o corpo feminino com o objetivo de promover a marca. Nesse contexto, a publicidade é involuntariamente consumida por todos os brasileiros que têm acesso a algum meio de comunicação, o que torna o assunto relevante, uma vez que influencia o ideário popular. Com isso, a importância da representatividade deve ser garantida com o objetivo de respeitar a pluralidade do corpo social.

Torna-se relevante, de início, caracterizar como a falta de representatividade na mídia reforça estereótipos e impulsiona o preconceito. Sob tal óptica, Adorno e Horkheimer criaram o conceito de Industria Cultural, termo que explica como a mídia manipula a arte conforme às exigências dos padrões já naturalizados na sociedade com o objetivo de vender mais, ou seja, aos moldes capitalistas. Nesse sentido, a novela Sol Nascente cabe ser mencionada nessa conjuntura, visto que foi exibida pela maior emissora do país e causou polêmica ao representar indivíduos orientais por meio de atores brancos. De acordo com as condutas politicamente corretas esse termo é definido por “whitewashing”, estrangeirismo usado quando ocorre essa ocidentalização de um fenótipo. Com efeito, enquanto a mídia suprimir esse diálogo cultural a intolerância será uma amarga consequência desse processo.

Outrossim, é essencial destacar que a Constituição de 1988 — norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro — afirma que todos os indivíduos são iguais. À sombra disso, no entanto, o retrato midiático impede que essa máxima seja plena, o que é extremamente incoerente em um país erguido por meio de tamanha diversidade de culturas, religiões e raças. Ademais, influencia diretamente nos caminhos que podem ser seguidos, diminuindo as possibilidades para jovens que não se encaixam em padrões físicos ou raciais. Dessa forma, ao não serem representados positivamente, sentem-se incapazes, o que resulta no aumento da evasão escolar e do subemprego.

Entende-se, portanto, que a representatividade é um segmento imprescindível no contexto midiático e que medidas devem garanti-la. Para tal, o MEC, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, deve, em parceria com o Ministério Público, levar à Câmara dos Deputados um Projeto de Lei que tipifique “whitewashing’’ como crime de racismo ou intolerância, tipificando-o inafiançável. Tal medida ajudará a modificar a dinâmica das publicidades brasileiras, tornando-as mais inclusivas. Além disso, o Governo Federal poderá lançar campanhas de conscientização que serão exibidas nos horários eleitorais obrigatórios com elenco totalmente composto por pessoas com deficiência, o que de fato tornará mais fácil a desconstrução de estereótipos e exercitará a cidadania.