A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 01/09/2021

Émile Durkheim foi um dos sociólogos clássicos que defendia a ideia dos “fatos sociais”, os quais são propostos pela sociedade e ensinam ao indivíduo como ele deve ser, o que sentir e o que fazer. Nessa perspectiva, no Brasil, ainda há a presença de visões ultrapassadas do que é considerada uma “pessoa normal”, sendo essa ideia amplamente propagada pela mídia. Dessa maneira, qualquer pessoa que fuja dos padrões sociais sofre com grande invisibilidade e coerção social, resultado do legado histórico e que causa diversos impactos na vida dessa parcela da população.

Primeiramente, vale ressaltar que os padrões foram construídos ao decorrer de toda a história. Dessa forma, segundo Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar as ações coletivas por meio dos eventos históricos. Nesse sentido, a falta de diversidade na publicidade está ligada ao passado brasileiro, o qual foi construído por homens brancos, que constantemente desumanizaram pessoas negras, indígenas, amarelas, mulheres, pessoas com deficiência e pessoas da comunidade LGBTQIA+, visto que o Brasil cresceu em cima da escravidão e da misoginia. Sendo assim, se não houver uma mudança no pensamento social, a mídia continuará propagando visões distorcidas a respeito dessas minorias e não dando visibilidade para elas.

Ademais, essas ideias que a mídia perpetua e a invisibilidade dessa parte da população trazem diversas consequências para a saúde mental desses indivíduos. Desse modo, de acordo com o filósofo Heidegger, esses padrões que foram criados pela sociedade fazem com que as pessoas se pressionem tanto ao ponto de criar dentro delas o que ele chama de “Das man”, ou “ELES”, uma espécie de voz que está na cabeça do indivíduo resultando em autocobranças para tentar alcançar o padrão imposto. Dessa forma, esse pensamento ser perpetuado na mídia ocasiona em um desgaste mental para esses cidadãos que são vistos e se veem, muitas vezes, como um erro. Logo, se medidas não forem tomadas para que esse pessoal tenha maior representação nos meios de comunicação, as taxas de problemas na saúde mental irão aumentar.

Portanto, essa perspectiva retrógrada a respeito dessas minorias e a falta de diversidade nos recursos de transmissão podem suceder em consequências. Por isso, urge que a população de forma organizada acione o Ministério Público por meio de uma Ação Civil Pública, a fim de o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Comunicação, estabeleça um Programa de Visibilidade para Minorias, com o intuito de investir em artistas que fazem parte dessas minorias, além de realizar entrevistas e debates sobre diversos assuntos com essas pessoas. Somente assim, será possível quebrar esses estereótipos que há tanto tempo vêm sendo perpetuados pela sociedade.