A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 03/09/2021

“Meninas negras não brincam com bonecas pretas” essa é uma frase da cantora Preta Rara, em sua música “Falsa Abolição”. Infelizmente, a música retrata uma realidade existente na sociedade brasileira há muito tempo, desde criança não só a população negra como também a indígena e outros grupos sociais como a comunidade LGBTQ + crescem sem figuras midiáticas e produtos (como brinquedos e produtos de beleza) que os representem, tendo em conta que o mercado de publicidade é voltado para uma população branca, heteronormativa e seus interesses. Visto que possui um maior poder aquisitivo e potencial consumista devido o Racismo Estrutural e o preconceito presente na sociedade brasileira, que cria lacunas financeiras e sociais entre esses grupos. Representatividade essa, tão importante para o reconhecimento da diversidade e desconstrução de preconceitos a respeito desses grupos. Onde sua falta, acaba gerando a exclusão e a manutenção de preconceitos e conceitos racistas que vão contra o direito de igualdade e liberdade entre as pessoas.

Atualmente, houve um aumento no protagonismo e campanhas públicas voltadas para esses grupos, visto que devido a difusão da internet e a manifestação de influenciadores e figuras importantes nesta, como a cantora Beyoncé, acerca das necessidades e da importância de inclusão de tais grupos, foi conquistado um reconhecimento sobre estes. Embora essa representatividade seja baseada em estereótipos, como argumenta Nei Lopes, cantor e escritor estudioso da cultura africana a respeito da população negra, esse aumento seja mais devido ao aumento do potencial de consumo que a representatividade desse grupo. Aumento relativamente baixo e perigoso, visto que em uma população na qual 56% da população é composta por negros e pardos, menos que 30% dos protagonistas de filmes, séries e novelas são pessoas declaradas negras e em sua maioria com traços mais aceitáveis, como a pele marrom ou o cabelo liso.

A consequência disso é o fortalecimento de conceitos racistas como a extinção da população negra através do embranquecimento dessa população por meio das relações sexuais entre brancos e negros, evidente na pintura A Redenção de Cam de Modesto Brocos, e também a criação e difusão de estereótipos baseados em preconceitos.

Portanto, Urgência ao Ministério das Comunicações e ao Ministério da Educação, entregar um projeto de lei à com políticas de inclusão que promovam a representação e o ensino livre de estereótipos sobre a população negra, indígena, uma comunidade LGBTQ + etc, através da inclusão do estudo de grupos nas notas curriculares de ensino e programas incluídos de debates nas mídias com representantes dos grupos. Em busca de que meninas negras possam brincar com bonecas pretas.