A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 17/09/2021

A Parada LGBT é um evento anual onde integrantes e aliados da comunidade LGBTQIA+ se reúnem em várias capitais do mundo para marchar, celebrar a vida, protestar por direitos e manifestar-se abertamente em meio social, o que gera a dúvida do porquê não haver, por exemplo uma parada hétero, e a resposta é muito simples, não há a necessidade de representação. Infelizmente no Brasil contemporâneo somente uma parcela mínima da sociedade é amplamente aceita e bem apresentada na mídia, o que gera o apagamento e desigualdade para com pessoas marginalizadas na comunidade tornando assim a representatividade muito importante na publicidade.

Em princípio é necessário compreender que a construção social de amplo aceitamento tem raízes históricas muito profundas, desde a chegada dos portugueses com a imposição de sua cultura eugenista eurocêntrica em 1500, até os dias atuais com suas consequências, na qual mesmo sendo uma parcela superior à 60% dos brasileiros, segundo uma análise feita pela Pesquisa Nacional de Domicílios Contínua em 2019, indígenas, pardos e negros são aqueles que menos aparecem na publicidade, e quando o fazem é de forma estereotipada e preconceituosa, como mulheres em propagandas sempre associadas à cuidados com bebês ou produtos de limpeza.

Ademais é importante salientar que essa prática leva à desconsideração de todos os indivíduos como parte do corpo social e isso traz um impacto negativo para as crianças, que com a crescente onda tecnológica tem cada vez mais estado expostas à esses meios de informação, essa péssima prática insere nos jovens preconceitos que estão enraizados na cultura como o machismo, racismo e homofobia e naqueles que são estão uma rotulação sobre si mesmo de falhas e defeitos e que jamais chegarão à um padrão de vida qualitativo e satisfatório.

Portanto, é dever do Governo Federal juntamente com o Ministério das Comunicações criar legislações específicas para a propagação midiática diversificada e inclusiva em mídias variadas através da contratação de profissionais de diferentes grupos étnicos, uma vez que enfrentam esse problema diariamente e saberão como lidar com o público atingido afim de demonstrar a realidade brasileira de forma mais justa e igualitária e evitar a exclusão de uma parcela social. Também é necessário que o Ministério da Educação prova aulões obrigatórios interdisciplinares nas matérias de história, sociologia e geografia que trabalhem a diversidade desde o ensino fundamental afim de gerar uma sociedade com mais aceitação e respeito pelos distintos desde a infância.