A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 07/09/2021

É cognoscível que, a representatividade nas mídias em geral vem aumentando com o tempo. Todavia, a importância dessa na publicidade brasileira ainda é uma pauta complexa. Isso deve-se, sobretudo, à persistência dos estereótipos de beleza, bem como a um conservadorismo preconceituoso entranhado na sociedade. Logo, são imprescindíveis mais ações governamentais, tendo em vista mudar isso.

A princípio, convém ressaltar que, os estereótipos de um corpo ideal travam o avanço rumo à diversidade no meio publicitário. Segundo o grupo ABC, quase 50% das mulheres brasileiras estão acima do peso, no entanto, cerca de 80% das mulheres que aparecem em propagandas são magras. Outrossim, em um país no qual mais da metade da população é negra, apenas 25% dos modelos publicitários representa essa maioria, de acordo com a agência Heads. Ou seja, por falta de uma representatividade abrangente, um público cada vez menor é realmente impactado pelas campanhas.

Concomitante a isso, o conservadorismo social preocupa. Em abril de 2021 foi votado o projeto lei 504/20, que proíbe a publicidade em geral de aludir à diversidade sexual humana para crianças. Isto é, uma visão retrógrada dificulta ainda mais a inclusão da parcela LGBTQ+ no meio publicitário, perpetuando o preconceito.

Portanto, fica clara a necessidade de elucidar essa questão. Posto isso, cabe ao Estado, adjunto à mídia, garantir a representatividade no meio publicitário; para isso, criar cotas raciais e de gênero aplicadas às campanhas publicitárias veiculadas em todas as mídias é uma possibilidade. Ademais, cabe às agências publicitárias diversificar cada vez mais os catálogos de modelos e atores por meio dessas cotas. Desse modo, um maior percentual da população nacional teriam seu espaço no mercado propagandístico, assim como os estereótipos de beleza e os conservadorismos preconceituosos seriam combatidos.