A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 08/09/2021
O filme Bacurau retrata como a diversidade do povo pode ser usada no combate à diversas problemáticas, como o preconceito e discriminação, por meio de sua representação e preservação. A realidade não é muito diferente da premissa cinematográfica, uma vez que explorar a diversidade dos indivíduos é inadmissível para que, além de construir uma sociedade mais igualitária, também romper diversos problemas sociais, porém tal diversificação não é observada no cenário publicitário, pois o mesmo se limita à pequena parcela da população, excluindo diversos grupos racias e de gênero. Logo, fica evidente a importância de se discutir a origem desse mal, que tem como causas a herança colonial e a ineficiência estatal.
Em primeiro lugar, uma das grandes marcas da colonização do país que ainda se faz presente é a supressão cultural dos considerados inferiores pelo viés da sociedade colonizada e colonizadores. A essência colonial – apoiada no caráter autoritário, patrimonialista e escravocrata –, criou uma herança de dominação excludente e produziu uma sociedade estruturada em uma cultura política que envolveu a reprodução de preconceitos, dando origem a uma população que pouco se vê representada pela mídia, sendo excluída assim como os índios ao terem sua cultura reprimida pelos portugueses. Dessa forma, deve-se quebrar tais estruturas enraizadas no país para que a heterogeneidade seja respeitada e contemplada.
Ademais, a ineficiência do Estado em punir as marcas que reforcem a homogeneidade de ser dificultam a superação da publicidade que alude a preferências e reforça a discriminação. Seja pela dificuldade em administrar recursos em um território de dimensões continentais, seja pela falta de interesse de órgãos públicos, em desenvolver a exibição da multiplicidade, pouco se é feito para que, por exemplo, os negros se sintam representados na mídia. Sob essa óptica, dados da agência publicitária Heads apontam que apenas 25% de participação nas peças publicitárias são de mulheres negras, assim, fica evidente que essa taxa ainda é muito baixa e tais peças carecem de estimulação governamental.
Logo, caminhos para que a publicidade seja mais universal e abranja a sociedade como um todo devem ser achados. O Governo Federal, com o Ministério da Cidadania, deve estimular instituições privadas a implementar maior diversidade em suas propagandas, por meio do barateamento de impostos às empresas que cumpram tais medidas, ao incluir o projeto nas Diretrizes Orçamentárias, com o intuito de promover maior representatividade entre os cidadãos brasileiros. Desse modo, o rompimento com a colonização será feito e o Brasil será menos excludente.