A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 08/09/2021
No seriado americano “The Bold Type”, a editora da revista Scarlet decide inovar ao incluir diversidade de cor, gênero e corpos e quebrar o estereótipo de uma revista de moda, fato que desagradou o conselho financeiro. Fora da ficção, essa trama traz destaque para problemática da falta de representatividade na publicidade brasileira. Desse modo, faz-se mister discutir sobre essa temática, que é decorrente de fatores culturais e do sistema capitalista.
A princípio, vale ressaltar a influência cultural histórica do Brasil. Desde a colonização, foi implementada no país uma forte tendência eurocêntrica, em que os padrões de beleza eram de pessoas majoritarimente brancas e esguias. Tal fator, associado a uma cultura machista heteronormativa, fez com que os primordios da publicidade fossem seletivos e excludentes. Logo, esse panorama influencia até hoje as escolhas de modelos publicitários, segregando aqueles que fogem desse padrão, como pessoas negras, gordas e LGBTQIA+.
Ademais, tal problemática permance presente devido ao capitalismo. Nesse viés, a Escola de Frankfurt explica que na Indústria Cultural se importa mais com a geração de lucro do que com o valor social de suas obras. Esse conceito se encaixa também nos anúncios publicitários atuais, tal qual retratado em “The Bold Type”. Apesar da crescente onda de inclusão e diversidade, a maioria da propagandas segue o padrão que possivelmente irá gerar maior retorno financeiro para as empresas. Assim, o sistema capitalista negligencia a prerrogativa ética da igualdade e aumenta a segregação social na mídia brasileira.
Portanto, é fulcral modificar esse panorama atual. Para isso, urge que as agências publicitárias incluam um maior número de modelos negros, gordos e LGBTQIA+ em suas propagandas, por meio de anúncios inclusivos, a fim de que a diversidade seja normalizada e que a sociedade disassocie os antigos padrões culturais impostos. Destarte, o corpo social poderá ter uma representação equânime no mundo midiático.