A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/09/2021
Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatizou que é preciso analisar as relações sociais existentes em um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e abonar o progresso coletivo. No entanto, ao observar a representatividade na publicidade brasileira, certifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade tupiniquim contemporânea. Dessa forma é vital enunciar os aspectos socioculturais e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, é importante considerar o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito da representação pessoal nas midias canarinhas, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente ocasiona a baixa participação de determinados públicos em propagandas. Segundo a agência Heads, protagonistas brancos representam 75% de participação em peças publicitarias em relação aos negros. E isso sem sombra de dúvidas abre margens para a perpetuação do problema em questão. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para a consolidação do progresso sociocultural habermaseano.
Além disso, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean-Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte da liberdade adquirida na circunstância natural para que o Estado garanta direitos intransigentes. A representatividade em comerciais no Brasil, entretanto, contrasta a concepção do pensador na medida em que, embora o governo tenha promovido diversas leis publicitarias, a ação estatal precisa ser mais intensa, estimulando as agências de anúncios a promover a igualdades em suas propagandas. Dessa forma, ações precisam ser executadas pelas autoridades competentes com o fito de dirimir o revés.
Entende-se, portanto, a temática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, irá discutir o assunto com representantes negros e LGBTs, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição o Ministério das Comunicações em parceria com o CONAN (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) deverá criar um projeto de lei, em que obriga as empresas de publicidade a favorecer a igualdade entre raças e gêneros. Desse modo, com a deliberação de Habermas e a justiça de Rousseau, a sociedade brasileira terá o progresso social concretizado, como enfatizou Montesquieu.