A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/09/2021
A teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do Nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, portanto, haveriam seres humanos superiores, a depender de suas características. No cenário brasileiro atual, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida na falta de importância dada à questão da lacuna de representatividade na publicidade, fundamentada em estereótipos. Nesse sentido, em razão da lenta mudança da mentalidade social e da falta de debate, emerge um problema complexo.
Convém ressaltar, a princípio, que antiquados padrões socioculturais, ainda vigentes, mostram-se como desafios à mitigação deste tópico. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível reparar que a insuficiência de diversidade de raça e de gênero nas propagandas é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em uma realidade social calcada em padrões de imagem corporal e de beleza excludentes e injustos, a tendência é adotar esse comportamento também. Desse modo, vê-se que mudanças drásticas na representação da diversidade social são vitais para a atenuação do impasse.
Além disso, o silenciamento é outro grande obstáculo para a resolução deste assunto. Sob esse viés, Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que um problema como o da ausência de representatividade de uma parcela da sociedade na mídia e sua revelância seja resolvido, faz-se necessário debater sobre isso. Entretanto, observa-se um vazio no que se refere a esse tema, criando solo fértil para a permanência de estereótipos e de preconceitos sociais contra a legitimação da pluralidade de corpos na sociedade. Assim, trazer à pauta esse ponto e discuti-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Logo, medidas estratégicas são essenciais para alterar a conjuntura atual. Para isso, o Ministério de Educação, aliado aos principais canais de televisão, devem instruir a população e as empresas de publicidade sobre a importância da representatividade de raça e de gênero nas propagandas, por meio de anúncios televisionados, a fim de conscientizar a nação e alcançar mudanças efetivas da mentalidade coletiva. Tal ação será acompanhada da #euquerorepresentação nas redes sociais, para atingir uma maior divulgação dos conteúdos. Feito isso, será possível extinguir a nociva noção de superiodade de raça e abandonar padrões corporais de beleza excludentes e construir um Brasil melhor.